Harvard Business Review - Brasil - Edição 9711 (2019-11)

(Antfer) #1
HEPPARD:Osartigosqueescrevemos para
o nossoexperimentocitavamum líder
dedeterminadaempresae explicavam
queo motivodasdemissõeseram
ascondiçõeseconômicas,e nãoalgum
problemadentrodaprópriaorganiza-
ção.Contratamosa plataformadigital
MechanicalTurkparafazero recrutamen-
todoshomense mulheresparticipantes,
maiscultosdoquea médiadapopula-
ção.Nósosdividimosemquatrogrupos

e mostramos a cada um uma foto do por-
ta-voz que anunciou os cortes. As fotos
distribuídas não eram iguais: o mesmo
indivíduo ora parecia muito atraente, ora
nem tanto. Previamente, pedimos a não
participantes que avaliassem o nível de
atratividade dos executivos fotografados.
Para que houvesse consistência nos resul-
tados, todos eram brancos e usavam tra-
je formal. Também usamos fotos de dois
homens e de duas mulheres diferentes

em cada categoria de atratividade — pa-
ra garantir que não houvesse outra coisa
na pessoa mostrada, ou na própria foto,
que estava provocando aquele efeito —,
embora cada participante no estudo visse
apenas uma pessoa.
Depois, fi zemos algumas pergun-
tas aos participantes: Até que ponto eles
confi aram na explicação dada pelo(a)
executivo(a)? Ele/Ela parecia honesto(a)?
E em um estudo posterior, que recru-
tou participantes dentro de um grupo de
universitários americanos e se concen-
trou apenas em executivos mulheres,
também indagamos se os líderes deve-
riam ser dispensados devido a seu papel
nas demissões. Observamos que as mu-
lheres lindas eram vistas como menos
sinceras, menos confi áveis como líderes
e mais merecedoras de demissão do que
suas colegas de aparência comum.

E os homens? Praticamente não vimos
diferença nas respostas relativas aos
porta-vozes atraentes ou menos atraen-
tes quando o teor dos comentários que
faziam sobre as demissões era o mes-
mo. Em alguns casos, os homens bonitos
eram vistos até como um pouco mais sin-
ceros do que seus colegas menos favore-
cidos no quesito aparência.

Como mulher isso me deixa tão malu-
ca! As notícias não são todas ruins para
as mulheres: as menos atraentes recebe-
ram avaliações mais altas nos itens ho-
nestidade e confi ança do que os homens,
independentemente da aparência.

Existe algum benefício para a mulher
bonita no ambiente de trabalho? Em
um estudo separado, classifi camos as
pessoas nas fotos com base na competên-
cia observada e descobrimos que, inde-
pendentemente do gênero, líderes muito
atraentes eram considerados mais com-
petentes. Assim, mesmo que as mulheres
lindas sejam vistas como menos since-
ras, elas são associadas a outras qualida-
des positivas. É possível também que, no
exercício de determinadas funções em

Leahd.sheppard,professora da Washington State University, e Stefanie K.
Johnson,professoradaUniversity of Colorado, Boulder, conduziram um estudo
sobredemissõesemempresas. Elas escreveram alguns artigos sobre o tema
e emcadaumanexaramumafoto do executivo responsável pelo corte. Elas,
então,pediramaosparticipantes do estudo que lessem os artigos, avaliassem
a honestidadedochefecujafoto estava anexa e decidissem se eles deveriam
serdemitidos.Quandoo executivo em questão era mulher, os participantes
a achavammenossincerae mais merecedora de demissão caso ela fosse
tambémmuitoatraente.Aconclusão:

Paraas mulheres no mundo dos


negócios,beleza é desvantagem


Professora sheppard,


dEFENdA sEU EstUdo


radar


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