Harvard Business Review - Brasil - Edição 9711 (2019-11)

(Antfer) #1

via como o modelo funcionaria para
o operariado, como os motoristas dos
quais seu negócio dependia.
Fiz com que ele mudasse de ideia com
uma simples demonstração: entrei no site
da Baut.com e digitei saeq — a palavra
árabepara“motorista”— nocampode
busca.Apareceramváriassugestõesrela-
cionadasà palavra-chave,incluindogírias
e o termoeminglês.E osresultadosmos-
travamquetínhamos 95 milmotoristas
sauditasregistradosemnossosite.
Superaro ceticismododiretorfoi
apenaso últimodosinúmerosdesafios
quetivedeenfrentardesdequefundei
a Bayt.com,em2000.Emboraa internet
estivesseamplamenteestabelecidanos
EstadosUnidose emmuitosdospaíses
ocidentaisnaquelemomento,menosde
1%daspessoasnomundoárabetinha
acessoonline. Empregadorese candida-
tosa vagasdetrabalhoseencontravam
pormeiodatrocadefavorese daexplo-
raçãodecontatos—ummétodoinefi-
cientequelimitavaasescolhas,aumen-
tavaoscustose significavaqueosdonos
deempresastinhamdificuldadespara
encontrartalentosmesmocomo aumen-
tosubstancialdodesemprego.


idAPARAPALOALtOE REtORnO


Sou de uma família libanesa de origem
palestina que se estabeleceu no Kuwait
na década de 1960. Vivi ali até os 17 anos,
quando comecei a estudar engenharia
elétrica na Stansted University. Era uma
época empolgante para se estar em Palo
Alto: Larry Page e Sergey Brin, funda-
dores da Google, estudavam ali, assim
como Jerry Wang e David Filo, que fun-
dariam a Yahoo. Lembro-me da empol-
gação de usar versões primitivas da in-
ternet — isso era antes do advento dos
navegadores. Passava horas pensando
sobre as possibilidades daquela nova tec-
nologia e imaginando como aquilo pode-
ria mudar o mundo.
Depois de completar meu mestra-
do em engenharia de sistemas econô-
micos — uma qualificação que juntava


administração e matemática avançada
—, fui trabalhar no escritório da Alex.
Brown & Sons, em São Francisco. Banco
de investimento mais antigo dos Estados
Unidos, ele se voltava para apenas algu-
mas indústrias, uma delas era a de tecno-
logia — por exemplo, havia financiado a
oferta pública inicial (IPO) da Microsoft.
Passei a integrar a equipe de tecnologia,
que trabalhava em diversas transações
importantes voltadas para fusões e aqui-
sições e IPOs. Aquela experiência me deu
uma compreensão detalhada de como
transformar uma simples ideia em uma
empresa. Logo fiquei obcecado com a
ideia de iniciar um empreendimento no
Oriente Médio.
Para realizar esse sonho, decidi voltar
para minha região; me mudei para Dubai
aos 23 anos. Minha família havia se mu-
dado para lá vários anos antes, saben-
do que seria uma região próspera para a
empresa de construção do meu pai. Tra-
balhei em sua empresa por cerca de um
ano. Era 1995. Dubai havia embarcado
em um período de desenvolvimento in-
tenso. Projetos e empresas surgiam a to-
do instante de todas as partes do mundo,
e cada um trazia consigo documentos e
arquivos essenciais. Isso serviu de inspi-
ração para minha primeira empresa, a
InforFort, que oferecia armazenamento e
gestão de documentos, bem como servi-
ços de busca de informações. A semente
dessa ideia havia sido plantada durante
meu período no banco de investimento,
onde, ao final de cada projeto, encaixotá-
vamos todos os nossos arquivos e os des-
pachávamos para uma empresa de ar-
mazenamento de documentos. Quando
precisávamos consultar um documento,
enviávamos para a empresa a data do ar-
quivo que buscávamos; um ou dois dias

depois eleeraenviado.Esseprocessode
busca eramuitomaisfácile rápidodo
que seriacasoosarquivosfossemarma-
zenadosemnossasinstalações,ondepo-
deríamosserpressionadosa colocaras
mãos atémesmoemumdocumentoque
havia sidousadohápouco.
Rapidamentea InfoFortpassoua ter
bancos eoutrasempresascomoclien-
tes, e emumanocomeçoua serrentável.
Em trêsanosabrimosescritóriosemAbu
Dhabi, Riad,Khodar,Jidáe noCairo.Em-
polgadocomminhaprimeiraincursão
empreendedora,examineioutrasneces-
sidadesdaregiãoe penseiemmaneiras
de comoatendê-las.

uMAdiFiCuLdAdE E
uMAOPORtunidAdE
Uma dessasnecessidades,comoeu
aprenderaemprimeiramãonaInfoFort,
tinha a vercomemprego:enfrentáva-
mos dificuldadeparaencontrargrandes
talentos.Esseobstáculoemrecrutarnos
levou a umproblemamaiore também
a uma oportunidade.Jovensárabesnão
estavamtendofacilidadeparaencontrar
um emprego—e empresáriostendodi-
ficuldadeparaencontrartrabalhadores.
Como eupodiaconectá-los?
Concluíqueumaplataformavirtual
de empregoseraa resposta—nãoape-
nas paralidarcomo desemprego,mas
tambémparaaumentaro usodainternet
no mundoárabe.Seaspessoasdaregião
fossem parao mundovirtual,pensei,
seria embuscadesuasubsistência.
Eu imagineia Bayt—palavraárabepara
“casa” —comoumalocaçãocentralon-
de milhõesdepessoaspodiamencontrar
trabalhossignificativose,assim,empo-
derar-separalevarumavidamelhor.

radar


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