Harvard Business Review - Brasil - Edição 9711 (2019-11)

(Antfer) #1

Como nos últimos anos, as mulheres
estão sub-representadas entre os 100 lí-
deres. No entanto, a lista de 2019 reser-
va algumas poucas boas notícias: qua-
tro CEOs mulheres entraram no ranking
(todas na metade superior), ante três em
2018 e apenas duas nos anos anteriores.
Todo ano, quando a HBR publica essa
lista, alguns leitores protestam contra a
escassez de mulheres. Sempre respon-
demos dizendo que isso não tem relação
com o desempenho das mulheres CEOs,
mas de quão poucas mulheres atuam
no cargo — um fenômeno que também
achamos lamentável.
Os CEOs que aparecem nas páginas se-
guintes exibem uma notável longevida-
de — e ilustram a satisfação dos conselhos
de administração quando um líder de al-
to desempenho permanece no cargo por
muitos anos. Os CEOs do S&P 500 têm um
mandato médio de 7,2 anos; em compara-
ção, os CEOs com melhor desempenho da
HBR estão no cargo há 15 anos, em média
(Nossa metodologia, que exclui CEOs com
menos de dois anos de mandato, talvez
explique por que este número é tão alto).
Os artigos que acompanham o ranking
examinam diferentes aspectos desse lon-
go mandato. A empresa de recrutamen-
to Spencer Stuart discute os resultados
de um estudo orientado por dados que
revela um padrão comum na relação en-
tre o desempenho do CEO e o tempo de
casa. Entre suas descobertas: aqueles que
se saem bem o sufi ciente para sobreviver
até a segunda década tendem a passar
por um período de desempenho acima
da média — algo de que muitos dos CEOs
da lista da HBR desfrutam atualmente. E
Bill George, professor da Harvard Business
School e que foi CEO da Medtronic por
uma década, argumenta que muitos


COMO CALCULAMOSOSRANKINGS


CEOsficamtempodemaisporquenão
conseguemescolhero momentocerto
paraseaposentare nãotêmideiadoque
farãoa seguir.Eleofereceumroteiropara
abordarasduasquestões.

Porenquanto,porém,osinvestidores
dasempresascujosCEOsaparecemno
rankingdesteanoesperamqueHuange
osdemaisfiquemondeestão—e mante-
nhamo bomdesempenho.

Para compilar nossa lis-
ta de CEOs com o melhor
desempenho do mundo,
começamos com as empre-
sas que, no fi m de 2018, es-
tavam no S&P Global 1.200,
um índice que refl ete 70%
da capitalização do mer-
cado de ações do mundo e
inclui empresas da Améri-
ca do Norte, Europa, Ásia,
América Latina e Austrália.
Excluímos os CEOs que es-
tavam no cargo há menos
de dois anos para garantir
que todos tivessem histó-
rico sufi ciente para a ava-
liação. Também omitimos
aqueles que deixaram o
cargo antes de 31 de julho
de 2019. Ao todo, fi camos
com 883 CEOs de 876 em-
presas (várias empresas
tinham coCEOs) baseadas
em 29 países.
Nossa equipe de pes-
quisa foi liderada por Nana
von Bernuth, professora
adjunta do Insead, com as-
sistência dos programado-
res Pegg y Lam e Onorina
Buneanu e dos consultores
de dados Morand Studer
e Daniel Bernardes, da
Eleven Strategy. A equipe
reuniu os dados fi nancei-
ros diários de cada em-
presa, compilados pela
Datastream e Worldscope,
desde o primeiro dia de
trabalho do CEO até 30 de
abril de 2019 (Para o pu-
nhado de CEOs que assu-
miu o cargo antes de 1995,
calculamos os retornos a

partir de 1º de janeiro de
1995, porque os retornos
anteriores ajustados pelo
setor não estavam dispo-
níveis). Calculamos três
métricas para cada man-
dato do CEO: o retorno to-
tal ao acionista, incluindo
dividendos reinvestidos,
ajustado pelo país para
compensar qualquer au-
mento no retorno atribuível
apenas a uma melhoria no
mercado de ações local;
o RTA ajustado pelo setor
para compensar qualquer
aumento resultante de al-
tas no mercado do setor
como um todo; e mudança
na capitalização de mer-
cado (ajustada por divi-
dendos, emissão de ações
e recompra de ações),
medida em dólares dos
Estados Unidos ajustados
pela infl ação.
Em seguida, classifi ca-
mos cada CEO — de 1 (me-
lhor) a 883 (pior) — em cada
métrica fi nanceira e cal-
culamos a média das três
classifi cações para obter
uma classifi cação fi nan-
ceira geral. A incorporação
de três métricas é uma
abordagem equilibrada e
robusta: enquanto os re-
tornos ajustados pelo país
e pelo setor correm o ris-
co de ser desviados para
empresas menores (é mais
fácil obter retornos maio-
res se você começa com
uma base pequena), a mu-
dança na capitalização de

mercado se inclina para
empresas maiores.
Para medir o desempe-
nho em questões não fi nan-
ceiras, a HBR consultou a
Sustainalytics, fornecedora
líder de pesquisas e análi-
ses ambientais, sociais e de
governança (ESG), que tra-
balha principalmente com
instituições fi nanceiras e
gestores de ativos. Também
usamos o CSRHub, que
coleta, agrega e normali-
za mais de 600 fontes de
dados ESG, incluindo oito
conjuntos de dados de em-
presas de pesquisa líderes
em ESG, e trabalha princi-
palmente com empresas
que desejam melhorar seu
desempenho ESG. Elabo-
ramos um ranking ESG
usando as classifi cações
da Sustainalytics e outro
baseado na CSRHub para
todas as empresas em nos-
so conjunto de dados. Para
calcular a classifi cação
fi nal, combinamos oranking
fi nanceiro geral (ponderado
em 70%) e as duas classi-
fi cações ESG (ponderadas
em 15% cada uma).
A lista de CEOs com me-
lhor desempenho da HBR
foi concebida por Morten
T. Hansen, Herminia Ibar-
ra e Urs Peyer. Os rankings
anteriores foram publica-
dos na HBR em 2010, 2013
e a todo ano desde então,
mas a metodologia mudou
várias vezes durante esse
período.

Harvard Business Review
Free download pdf