Harvard Business Review - Brasil - Edição 9711 (2019-11)

(Antfer) #1

seismesesdePOis. Novamente, às 6h30 da manhã, Kristen
leva outro paciente para a sala de cirurgia na cadeira de
rodas, mas desta vez para a cirurgia robótica de próstata.
O responsável lidera a instalação de um robô de mil quilos,
prendendo cada um dos quatro braços ao paciente. Ele
e Kristen assumem cada um sua posição em um console
de controle a 4,5 metros de distância. Suas costas estão
voltadas para o paciente e Kristen apenas observa enquanto
o responsável manipula remotamente os braços do robô,
recolhendo e dissecando o tecido delicadamente. Usando o


robô, ele pode realizar todo o procedimento sozinho — e, na
maior parte do tempo, é isso que ele faz. Ele sabe que Kristen
precisa de treino, mas sabe também que ela seria mais lenta
e cometeria mais erros. Então, ela terá sorte se operar cerca
de 15 minutos em uma cirurgia de quatro horas. E sabe que,
diante de qualquer deslize, ele tocará uma touch screen e
retomará o controle imediatamente, deixando-a de fora.
A cirurgia pode ser um trabalho extremo, mas até
recentemente os cirurgiões em treinamento aprendiam sua
profissão da mesma forma que a maioria de nós aprendemos

TECNOLOGIA

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são 6h30, e Kristen leva seu paciente com câncer


de próstata para o centro cirúrgico numa cadeira de rodas.


Ela é residente sênior e cirurgiã em treinamento. Hoje espera que


possa fazer, ela mesma, algumas das delicadas dissecações


relativasaoprocedimentodepreservaçãodenervos.


omédicoresponsávelestáaoseuladoenquantoKristenlidera


a equipesobsuaorientaçãovigilante.o trabalho corre bem, o


responsável se afasta, e Kristen fecha o paciente às 8h15. Um


residente júnior observa por cima do seu ombro. Ela o deixa


finalizar a sutura. Ela está radiante: o paciente ficará bem e


ela é uma cirurgiã melhor do que era às 6h30.

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