Harvard Business Review - Brasil - Edição 9711 (2019-11)

(Antfer) #1
m relatório divulgado neste ano de 2019, o Boston Consulting Group (BCG) revela
que as empresas tidas como extremamente inovadoras utilizam cada vez mais
inputs externos para o desenvolvimento de seus serviços e produtos. Segundo o
relatório, entre 2015 e 2018 a interação dessas empresas e incubadoras aumentou
6%; já com a área acadêmica o aumento foi de 21%; com outras empresas, de 18%.
tamos falando de grandes empresas inovadoras, como Alphabet, Amazon, Apple,
crosoft, Samsung, as cinco primeiras colocadas do ranking da pesquisa.

de inovação inseridos em um ecossistema desenvolvido pela
organização ou do qual ela faz parte. No entanto, essa jorna-
da não é simples nem rápida.
Um estudo de caso publicado em abril de 2019 sobre a
Nasa desenvolvido por pesquisadores da própria agência
espacial americana e da Harvard University identifica as
seguintes fases do processo: aprender, pilotar, escalar e
sustentar. No caso do Center of Excellence (CoE), departa-
mento da Nasa que foi o objeto do estudo, o processo levou
sete anos para atingir a maturidade.
Para ter uma ideia, nesses sete anos apenas a fase de
aprendizado durou 18 meses! Graças ao estudo de caso e às
lições aprendidas, os autores propõem recomendações para
reduzir a primeira etapa para seis meses e para três anos
o processo como um todo até a fase de sustentação.
Nessa jornada de aprendizado e implantação de estraté-
gias de inovação aberta, equívocos são recorrentes por falta
de compreensão aprofundada do tema. Trataremos dessa
falta de clareza como mitos que, se não forem esclarecidos,
poderão sabotar a implementação nas organizações.

Embora o avanço da inovação aberta seja marcante no re-
latório do BCG, vale notar que, no Brasil, o tema ainda mere-
ce maior atenção. Uma análise recente publicada por Henry
Chesbrough — que inicialmente desenvolveu o conceito de
inovação aberta —, Marcel Bogers e Ana Burcharth avalia que
o ecossistema brasileiro está ficando para trás em relação ao
países desenvolvidos e busca apontar possíveis desafios a
serem superados no país. A rigor, em nossa avaliação, falta
um mapeamento mais aprofundado e atualizado para melhor
clareza da maturidade do ecossistema brasileiro.
Se é fato o enorme potencial das estratégias de inovação
aberta, é também inegável que elas não são uma “tábua de
salvação” por si sós para as empresas ou para o país. Em meio
a cases de sucesso conhecidos, há retrocessos, mitos e, com
alguma frequência, confusão com estratégias de marketing
que buscam apenas posicionar a organização como inovado-
ra no mercado.
Novos conhecimentos podem vir da comunidade, consu-
midores, fornecedores, parceiros e mesmo da concorrência
naquilo que for pré-competitivo. Isso se dá por meio de funis


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