Harvard Business Review - Brasil - Edição 9711 (2019-11)

(Antfer) #1

Mito #5


Inovação aberta é ter uma incubadora


ou aceleradora própria de startups


Sim, de fato, a capacidade de atrair startups para perto da em-
presa pode e deve ser estimulada no caso de ser esta a esco-
lha do caminho dentro da estratégia corporativa de inovação.
No entanto, cabe avaliar se faz sentido mobilizar ativos per-
manentemente para esse fim ou se melhor seria ter uma es-
tratégia bem elaborada de relação com startups.
Além das aceleradoras e incubadoras, outras estratégias
de aproximação de startups incluem:



Spin-offs — podem nascer de ativos subutilizados pela
empresa que passam a ser desenvolvidos por uma startup.
Esta pode nascer na própria organização ou em parceria
com atores externos. A estratégia responde à tendência de
apoiar colaboradores internos com vontade de empreender,
mantendo-os por perto a fim de que contribuam para a orga-
nização, como é o caso da Oxigênio da Porto Seguro.




Eventos — desafios abertos para startups, podendo uti-
lizar a técnica de pitch reverso — quando uma empresa apre-
senta um desafio seu a ser resolvido —, como é feito no pro-
grama 100 Open Startups, além de conferências como o recém-
realizado Innovation Summit, com a presença de praticamente
todos os atores do ecossistema de inovação brasileiro.




Serviço de suporte — serviços de suporte em áreas de
expertise da empresa, com o objetivo de desenvolver tecnolo-
gias, serviços e produtos que possam ser utilizados e alavanca-
dos pelas startups, mais comum na área jurídica (lawtechs), fi-
nanceira (fintechs), recursos humanos (HRtechs), entre outras.




Programas para startups — programas de cessão de tec-
nologia, serviços e outros ativos para uso por período deter-
minado, bem como espaço para que as startups testem seus
conceitos dentro da empresa — muitas vezes isso inclui até
mesmo tempo em laboratórios, como é o caso da Ambev, que
disponibiliza uma planta para testes de startups focadas em
otimização de produtividade.



> Co-working — espaços compartilhados de trabalho
para startups que tenham relação direta com o core business
da empresa, como faz o programa InovaBra com o Habitat.

> Investimento — investir em startups por meio de fun-
dos de corporate venture é uma maneira de se aproximar de
tecnologias, produtos e serviços inovadores. Entre 2012 e
2017, esse tipo de investimento obteve um CAGR (compound
annual growth rate) de 31%, chegando a € 76 bilhões ou 26%
do total de investimentos de venture capital no mundo.

Ter sua própria incubadora ou aceleradora pode ser
interessante, mas há diversas maneiras de se envolver com o
ecossistema de startups. A rigor, a depender do tamanho e ca-
pacidade da empresa, uma estratégia que integre diferentes
métodos pode ser mais efetiva. Deve-se avaliar se é melhor
desenvolver uma rede própria ou fazer parte de ecossistemas
já estabelecidos, como é o caso da Liga Ventures.
Seja qual for a estratégia adotada, um fator é fundamental
para promover a inovação aberta com startups: ter processos
que garantam autonomia para que elas explorem seu poten-
cialcriativosemastravasdaculturainterna.

AsuperAção dos mitos
Para avançar em uma estratégia de inovação aberta é pre-
ciso superar mitos internos sobre o tema. Adotar inputs
externos para o desenvolvimento de novos produtos ou
serviços implica, fundamentalmente, cultura e processos
organizacionais.
Toda gestão de mudança impactará pessoas e processos e,
por isso, gerará resistência. Isto não é uma possibilidade, é a
regra. A organização não muda, quem muda são as pessoas e
o desejo de mudança vem apenas com o conhecimento para
superar eventuais medos. No planejamento de gestão de mu-
dança para adoção de uma estratégia de inovação aberta, ter
plenaclarezasobreo queestámudando,ondee comoé cru-
cialparagarantiro apoionecessáriodoscolaboradorese,
assimavançarcomsucesso.
HBR Reprint R1911F–P Para pedidos, página 10

Fabiob. Josgrilbergé docentee pesquisadordaCátedraUnesco
deComunicaçãodaUniversidadeMetodistadeSãoPaulo.
luciana HasHiba é vice-coordenadora do Núcleo de Inovação da FGVin.

Se a empresa não conta com especialistas próprios em
inteligência artificial, corre o risco de sua capacidade absortiva
ser insuficiente para internalizar a nova tecnologia.

Harvard Business Review
Free download pdf