Visão (11 a 17 Junho 2020)

(Banca) #1
11 JUNHO 2020 VISÃO 17

imobiliário pela magnitude dos impactos
previstos para o futuro.
A proporção de pessoas que reportaram
sintomas compatíveis com Covid-19 tem
uma tendência semelhante à da evolução
dos novos casos em território nacional.
Durante o mês de março, verificou-se um
aumento das chamadas para o SNS24,
que capta as dificuldades verificadas
no funcionamento da linha. Apesar
dos apelos para se ligar para o SNS24,
muitos portugueses preferem dirigir-se
diretamente aos serviços de saúde.
Na fase pós-estado de emergência, nem
todos têm a mesma opinião. As pessoas
com níveis de escolaridade mais baixos
estão, em geral, menos reticentes em

A Covid-19 chegou rapidamente da China
à Europa, tendo os primeiros casos em
Portugal surgido no início de março.
Esta pandemia tornou-se o mais
destacado desafio dos tempos atuais.
No decorrer dos últimos meses,
acompanhámos o comportamento
e as preocupações em Portugal, desde
a pandemia até aos primeiros tempos de
desconfinamento. Os receios em relação
à Covid-19 levaram a que, antes do início
do estado de emergência, estivesse
em aumento o número de pessoas a
isolarem-se, tendo antecipado compras
para fazerem face ao período
de “ficar em casa”.


Naturalmente, o número de pessoas
nesta situação aumentou para níveis
muito elevados com o estado de
emergência (mais de 90% das pessoas
que responderam diziam estar em
casa). A preocupação com a doença era
muito elevada e a atenção à informação,
permanente. A televisão foi, durante este
período, a principal fonte de informação
procurada, mesmo nas camadas mais
jovens da população. O isolamento, sendo
elevado em geral, foi maior por parte
das pessoas com nível de escolaridade
mais elevado. Esta diferença poderá
ser resultado da menor capacidade,
em termos profissionais, da população
com baixa escolaridade em passar a
teletrabalho e isolamento.


SETORES MAIS AFETADOS
À medida que o tempo passou, e a
situação global de contágio foi ficando
mais controlada, a preocupação com os
efeitos económicos foi ganhando maior
preponderância, mesmo depois do início
do levantamento das restrições. Esta
preocupação é marcadamente maior
nas pessoas com situações económicas
mais frágeis, nomeadamente em quem
trabalha nos setores mais afetados, como
arte, cultura, entretenimento, comércio,
atividades imobiliárias, investigação
e construção, destacando-se o setor


9 493 Número de pessoas
que participaram até
ao dia 2 de junho
nas cinco vagas do inquérito
(a quinta vaga ainda está a decorrer),
realizadas desde o dia 13 de março
FONTE: Inquérito sobre a pandemia
Covid-19 (Nova Health Economics & Management
Knowledge Center, Nova School of Business and Economics)
INFOGRAFIA: Álvaro Rosendo/VISÃO

relação à reabertura. Exceção feita a
uma preocupação mais elevada com o
voltar das crianças às creches nesse
grupo. A reabertura dos serviços públicos
e do comércio local é a que tem menor
oposição. Por outro lado, onde se sente
menor premência na reabertura, por
parte de quem respondeu, é nos cinemas
(e noutros locais de lazer e cultura) e no
futebol.
SEGUNDA VAGA
A utilização de dados pessoais numa
estratégia de deteção de contactos e de
intervenção para conter o contágio tem
sido falada com frequência. Cerca de
34% dos participantes concordam com
a utilização de dados para rastreio da
Covid-19 sem consentimento prévio.
Dos 66% que não concordam, a maior
parte mostra-se convicta e discorda
totalmente.
Em termos de prioridades para as
políticas públicas, com números ainda
preliminares, a principal preocupação
expressa é a de evitar uma segunda
vaga da pandemia, e só depois a da
minimização dos efeitos económicos
adversos. A Covid-19 terá sido mais do que
uma breve interrupção nas nossas rotinas,
e retomar essas rotinas como eram antes
da pandemia não é importante.
Por Pedro Pita Barros,
Eduardo Costa e Sara Almeida

Após 11 semanas de análise, o inquérito Nova SBE/VISÃO chega ao fim.
Em jeito de balanço, quais são as principais conclusões sobre o comportamento
dos portugueses perante a ameaça pandémica e os seus efeitos económicos?

43%
Discordo
totalmente

BALANÇO FINAL


Mais do que uma breve interrupção nas nossas rotinas


* Dados recolhidos dias 1 e 2 de junho
entre 100 participantes

Concorda com a utilização,
sem consentimento prévio,
de dados de telemóvel
para rastrear pessoas infetadas?*

DISCORDO
LIGEIRAMENTE
20%

CONCORDO
TOTALMENTE
13%

CONCORDO
LIGEIRAMENTE
21%

97%
A esmagadora maioria
das pessoas considera que
os abusos de entidades
privadas são o principal
problema associado
à partilha de dados
de saúde*
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