Visão (11 a 17 Junho 2020)

(Banca) #1

68 VISÃO 11 JUNHO 2020


À boleia do desconfinamento, e “com
os governos a apelarem ao uso através
de incentivos, os stocks europeus es-
coaram depressa”, afirma Paulo Noguei-
ra, proprietário da Lisbon Bike Shop.
“Os clientes procuram BTT para andar
na cidade e para lazer, numa vertente
económica – custos médios entre 500
e 700 euros – e bicicletas elétricas, que
estão a crescer, mas o preço, a partir de
dois mil euros, ainda é dissuasor.”
O mesmo constata António Inácio,
responsável da Benebike, serviço mul-
timarca e venda em Benedita, distrito
de Leiria. “O mercado das elétricas,
cujos preços podem ir até aos dez
mil euros, é ainda residual.” As con-
vencionais, da marca austríaca KTM,
com preços a rondar os mil euros, são
as que têm mais saída, e o modelo de
montanha ultra sport 29 2020, com 12
velocidades e 13 quilos, a 1 099 euros,
é dos mais solicitados para dar vol-
tas ocasionais. Os serviços de oficina
registaram uma subida de 20% e a
compra de acessórios também: capa-
cete, luvas, bidão de água e suporte,
ciclómetros e cadeados, que podem ir
de 20 a 300 euros, embora a clientela
não vá muito além dos 60 euros.
Sandro Araújo, vice-presidente da
Federação Portuguesa de Ciclismo,
refere um “aumento da procura nas
lojas entre 50% e 100%, e atrasos na
distribuição”, e um aumento médio
de 16% nas inscrições e renovações da
federação nos dois primeiros meses do
ano, face ao mesmo período de 2019.
Apesar da queda abrupta no início da
pandemia, o número de inscritos cres-
ceu 31% face a abril do ano passado,
com pedidos de seguro de acidentes
pessoais e de responsabilidade civil.
Porém, ainda há muito a fazer, já que “a
estratégia nacional para a mobilidade
ativa ciclável, aprovada no ano passado,
tem sido pouco concretizada”.


O APELO DAS ELÉTRICAS
A viver em terras lusas há 32 anos, o
francês Cédric Lecler descobriu nos
Açores o gosto pelo aluguer de bici-
cletas. Há dois anos e meio abriu uma
loja no Parque das Nações, em Lisboa.
Seguiu-se outra em Cascais e vai ter
mais uma no centro da capital. Na
Ebikelovers, a maioria das elétricas
é de fabrico alemão e os preços de
venda oscilam entre 1 400 e 8 500 eu-
ros, mas só 5% dos clientes investem
mais de 5 mil euros, com as urbanas
(e-trecking) e de carga a totalizarem
50% das vendas.


O perfil dos clientes situa-se na fai-
xa etária entre os 35 e os 65 anos (70%
são do sexo masculino), e pertencem
à classe média alta. A assinalar ainda o
facto de 71% serem portugueses e de o
investimento médio nestes velocípedes
rondar os 2 500 euros. “Passam do
carro para a bicicleta, que tem vários
níveis de assistência e lhes permite
não ficar suados após a viagem.” A
desvantagem é serem mais pesadas,
pelo motor e bateria (22 ou 23 quilos),
que carrega em quatro horas. “Experi-
mentam o sistema partilhado, gostam
e optam por comprar para uso diário,
com ganhos ecológicos e de segurança”,
continua Cédric Lecler.
Em Portugal, e com base nos dados
da Ebikelovers, “as estimativas apon-
tam um crescimento de mais de 30%
a 40% ao ano”. Lecler acredita que o
mercado tem bons motivos para ex-
pandir-se, por várias razões. Primeiro,
as marcas concebidas para commu-
ters (viagens de casa para o trabalho)
conferem estabilidade e conforto e
estão equipadas com dispositivos de
proteção antirroubo. Depois, a con-
ferência Velo-City 2021, organizada
pela capital portuguesa, está à porta.

INCENTIVOS PARA


TODOS OS GOSTOS
A Câmara Municipal de Lisboa
anunciou um pacote de 3 milhões
de euros para apoiar a compra
de bicicletas. Mas também existe
um apoio do Estado português

Candidatura no Portal
do Ministério do Ambiente


  • entre €100 e €350 é quanto pode
    poupar na compra (exceto BTT,
    vistas como de lazer e não meios
    de transporte)


Bicicletas elétricas (e de carga)


  • 50% do valor do veículo até €350
    (um incentivo por pessoa singular
    e 4 por pessoas coletivas) com
    o limite de mil unidades


Bicicletas convencionais


  • 10% do valor do veículo até um
    máximo de €100 (um incentivo
    por candidato) com o limite
    de 500 unidades


ROTAS CICLÁVEIS EM LISBOA

Ciclovias existentes


  • 105 km


Ciclovias projetadas até 2021


  • 181 km


Eixos em desenvolvimento


  • Marginal; Alcântara-Luz; Benfica -
    Braço de Prata; Olivais - Beato;
    Eixo Circular Exterior; Eixo Central


ROTAS CICLÁVEIS NO PORTO
Ciclovias existentes


  • 19 km


Ciclovias projetadas
até ao final do ano


  • 54 km


Bicicletas e trotinetas partilhadas


  • Desde o dia 1 de junho, o Porto
    conta com um total de 2 100
    bicicletas e trotinetas elétricas
    de três operadores: Hive, Bird e Circ.
    Estes veículos poderão circular
    na cidade entre as 6h e as 22h
    e existem 210 pontos de partilha

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