Visão (11 a 17 Junho 2020)

(Banca) #1
11 JUNHO 2020 VISÃO 69

E, não menos importante, “as ciclovias
na cidade vão passar de 100 km em
2018 para 200 km em 2021”.
A empresa acaba de ganhar um con-
curso público promovido pela autarquia
para aluguer de oito bicicletas de carga
durante dois anos, para que os muní-
cipes as testem, gratuitamente, durante
um mês (ao abrigo do programa euro-
peu CCCB 2018-2021) e já há lista de
espera. Além disso, o plano de incenti-
vos do Estado para aquisição deste meio
de locomoção foi reforçado este ano.


NOVOS HÁBITOS E MAIS CICLOVIAS
Para uma família numerosa como é a
de Diana e João Ralha, a solução para


parar o trânsito!”, brincam. “Fiz 200
quilómetros com a GIRA e oito mil
na minha”, prossegue João, satisfeito
com a aposta. Com uma assistência
elétrica entre 40 e 100 quilómetros, a
bateria carrega-se em casa e até pode
funcionar como powerbank para uma
coluna de som ou telemóvel. Deixa-a
na rua, com um bom cadeado.
O carro está reservado para longas
distâncias e férias, e, porque todos
pedalam, passaram a levar também
um atrelado. Diana, habituada a andar
ao volante, era a mais resistente, mas
acabou por render-se ao entusiasmo
do marido e da prole. Ganharam mais
proximidade com as rotinas do bairro
e não só: às vezes, apanham o barco
para a Trafaria e pedalam na Mar-
gem Sul. “É uma questão de hábito.
Às vezes, é perigoso porque ainda se
apanha gente que faz razias ou não
sabe as regras do código”, adiantam.
E quando faz mau tempo? “É preci-
so bons fatos de chuva, e elas chegam
mais secas à escola do que se fossem
de carro, além de que demoram 15
minutos em vez de 45”, observa João.
Carolina, 16 anos, tem uma desdob-
rável e vai pela ciclovia; António, Au-
rora e Isaura, com 11, 7 e 5 anos, vão
ganhando autonomia. “Ficam com
uma experiência de infância mais livre
que os marcará para sempre”, remata
a mãe. Aos 41 anos, a consultora de
comunicação está orgulhosa desta
revolução que a fez contornar difi-
culdades físicas e alguns preconceitos.
Simples, com velocidades ou assis-
tência elétrica, as bicicletas para uso
próprio vieram para ficar e coexistir
com as partilhadas, sejam privadas
(caso da Hive e da Jump) ou públicas.
João Camolas, assessor de imprensa
do vereador da Mobilidade da autar-
quia alfacinha, assinala uma quebra de
85% no uso da GIRA durante o mês de
março, mas a recuperação fez-se sentir
no mês seguinte (média diária 3 778
viagens entre os dias 16 e 24 de abril).
Camolas reconhece que há vários
sinais de vontade de aderir a estas
formas de mobilidade e faz o ponto
da situação das novas ciclovias: já con-
cluídas, as da Rua Castilho, Rua Mar-
quês da Fronteira e Avenida Cidade de
Bissau, estando a ser construídas ou-
tras na Avenida de Berlim e, em breve,
na Alameda dos Oceanos, com ligação
a Loures. Com mais redes cicláveis
e gente a circular, espera-se que a
gestão dos espaços para estacionar
acompanhe a tendência. csoares@visao.pt

ganhar mobilidade em Lisboa passou
pelas duas rodas. Ou mais, já que são
seis as que ficam estacionadas no pata-
mar do prédio. João, tradutor, trabalha
em casa e só tirou a carta aos 35 anos
(tem agora 42), depois de nascer o
terceiro filho, mas com a família a au-
mentar e sem conseguir deixar o carro
de sete lugares em segunda fila quando
levava os miúdos à escola, decidiu-se
por uma bicicleta elétrica de carga.
É vê-los numa Yuba Longtail a
rumar ao mercado de Alvalade ou a
dar voltas na cidade. Chamam-lhe
“o nosso autocarro da carris”, por
ser amarela e preta, e ver um adulto
com três crianças atrás “é de fazer

A CÂMARA DE LISBOA VAI


PASSAR CHEQUES ATÉ €350


EUROS PARA PARTICULARES


COMPRAREM BICICLETAS.


SÃO €3 MILHÕES EM APOIOS


NO TOTAL


Cascais O município também apostou
nas bicicletas e nas ciclovias, que
percorrem grande parte da vila e são
utilizadas por residentes e turistas

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