Visão (11 a 17 Junho 2020)

(Banca) #1
11 JUNHO 2020 VISÃO 73

o diretor de uma escola profissional
de costura e design de moda não se
ficou pela licenciatura do Instituto
Politécnico de Setúbal nem pelo MBA
da AESE Business School. Nos últimos
anos, abraçou vários cursos online
de curta duração com o intuito de
ampliar conhecimentos, investindo
pouco ou nada mesmo.


ano passado, houve um aumento de
529,2% dos inscritos portugueses, com
as seguintes preferências temáticas: A
Ciência do Bem-estar (Universidade de
Yale), O que é a Arte Contemporânea
(The Museum of Modern Art), Ver
Através de Fotografias (The Museum
of Modern Art), Mercados Financeiros
(Universidade de Yale) e Aprender a
Planear: Poderosas Ferramentas Men-
tais para Ajudá-lo a Dominar Assuntos
Difíceis (Universidade da California,
San Diego).
Com universidades, institutos,
empresas e profissionais liberais na
corrida dos conteúdos gratuitos in-
teiramente digitais, até que ponto a
sobrevivência da academia não fica
comprometida, bem como o valor real
das formações adquiridas? “São ne-
gócios distintos e envolvem públicos
diferentes”, esclarece José Júlio Alfe-
res, pró-reitor para a transformação
digital da Universidade Nova de Lis-
boa. “Ninguém contrata uma pessoa
que fez um destes cursos pelo MIT,
se tiver outro candidato que lá esteve
e entrou por ser excelente”, nota o
docente em Ciências da Computação.
O ensino normal não fica compro-
metido, desde logo por não ser mas-
sificado. “Ao aceitar todos, incluindo
os que não entraram em universida-
des, com aulas e mentoria, os MOOC
fornecem conhecimento, e essa opção
é melhor do que nenhuma.” Por seu
turno, as universidades de elite “têm
programas massivos gratuitos, equi-
valentes a um início de mestrado, que
funcionam como uma pré-seleção
dos melhores alunos que estas podem
convidar para ingressar nos cursos
presenciais”.
A razão pela qual as universidades
portuguesas ainda não entraram se-
riamente neste mercado (a última en-
trada na MOOC é do Instituto Supe-
rior Técnico, em Física Experimental,
em setembro do ano passado) é, “em
boa parte, por inércia”. Talvez não seja
por muito tempo. O confinamento
trouxe a imersão no modo “tele” (te-
letrabalho, telescola) e no digital, com
os números da Fundação para a Com-
putação Científica Nacional a falarem
por si: em abril, realizaram-se mais de
248 304 aulas e reuniões virtuais com
4,5 milhões de participantes através
do serviço Colibri (licença Zoom para
universidades e politécnicos), bem
acima dos 206 586 participantes de


  1. Depois disto, nada ficará como
    antes. csoares@visao.pt


Foi o caso da formação de 40 horas
do Google Atelier Digital, no início
de abril, “para relembrar conceitos,
aprender novos e aplicá-los na mi-
nha escola”. Pedro reconhece que “a
modalidade não serve para todos, pois
áreas como a eletricidade ou a costura
implicam a presença física para uma
aprendizagem eficaz”. Na área do
marketing, “os cursos tradicionais
podem custar entre 300 e 600 euros,
mas é possível fazê-los através de um
MOOC por dez euros”, remata.
No site da Udemy, com 700 cursos
grátis e mais de 140 em português, as
promoções (cursos de €200 ficam a
€10) estão na ordem do dia. Entre os
mais visitados estão o curso de Desen-
volvimento de Sites em HTML ou de
Criação de Jogos em JavaScript, que
habilitam o utilizador a implementar
projetos na web.
O “amor” dos portugueses no que
às plataformas diz respeito vai para a
Coursera e para os níveis de certifi-
cação que disponibiliza (alguns acima
de €100). No email enviado à VISÃO
por Anthony Tattersall, dirigente da
plataforma para a Europa, Médio
Oriente e África, ficamos a saber que,
em abril, face a idêntico período do

À distância Após fundar a sua
empresa, Patrick Götz fez um
curso prático em Gestão de
Projetos, na plataforma Udemy

DEMOCRATIZAR


O ACESSO À


EDUCAÇÃO COM


QUALIDADE SEM


BARREIRAS DE


LOCALIZAÇÃO


E CUSTO É O


TRUNFO DAS


FORMAÇÕES


VIRTUAIS DE


CURTA DURAÇÃO


JOSÉ CARLOS CARVALHO
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