IMPACTO - 14-08-2020

(IMPACTO) #1

14 DE AGOSTO DE 2020 7


Internato de Medicina da UniFAI em


Araçatuba mantém atividades durante


a pandemia da Covid-


DANIEL TORRES
comunicacao@fai.com.br


Em tempos de pandemia do novo
coronavírus (Covid-19), em que quase
tudo foi paralisado e muito conteúdo
foi comprometido devido às ações de
distanciamento social impostos pela
quarentena, os alunos do Internato
do curso de Medicina do Centro Uni-
versitário de Adamantina (UniFAI)
mantiveram a sua rotina de estudos
e a maior parte das atividades junto à
Santa Casa de Araçatuba.
Na verdade, como todos foram
pegos de surpresa com o início da
pandemia, em março, as atividades
práticas foram interrompidas por
um breve período de tempo até que
todos os equipamentos de proteção
individual (EPIs) necessários fossem
adquiridos para que, assim, os alunos
pudessem retomar os atendimentos
com segurança.
“O curso de Medicina se orga-
nizou em duas etapas para atender
ao pessoal de estágio prático, que é o
Internato. Primeiro foi com a Turma
1 [T1], que já estava em Araçatuba
quando, em um certo momento, no
mês de março, começaram a aparecer
os primeiros casos [da Covid-19 no
Brasil] e tivemos que suprir os EPIs
necessários, as máscaras, gorros,
aventais descartáveis e os [jalecos]
plásticos, que devem ser usados nos
casos mais complexos, com maior
possibilidade de transmissão [do ví-
rus]. Fizemos, também, dentro do
próprio Internato, a conscientização
dos alunos e os professores colabora-
ram muito com isso”, relatou o chefe
do Departamento de Medicina da
UniFAI, Prof. Dr. Miguel Ângelo De
Marchi.
“Como nossas atividades retorna-
ram logo, não tive grandes mudanças.
Estou mantendo o ritmo anterior”,


Alunos receberam equipamentos de proteção individual e orientações de biossegurança


estivermos no processo de aguardar a
chegada de EPIs, a Santa Casa vai nos
ceder até que a pandemia chegue ao
fim”, explicou Miguel De Marchi.
Com isso, a T2 pôde manter a ro-
tina normal do Internato desde o iní-
cio. “Muitas horas práticas, algumas
aulas teóricas, normalmente on-line
com controle de frequência e partici-
pação, [além de] avaliações teóricas
esporádicas”, revelou Thalita Nakas-
se, aluna do 10º Termo (T2).
“A UniFAI está conseguindo
manter as atividades do Internato na
Santa Casa de Araçatuba, com os in-
ternos devidamente paramentados
(EPIs), sem prejuízo de horas ou de
aprendizagem e sem exposição direta
ao vírus. Além disso, estamos tendo
a oportunidade de participar das dis-
cussões sobre os casos de Covid-19”,
emendou Thalita, ao lembrar da dis-
ponibilidade e obrigatoriedade do
uso de EPIs, de acordo com o risco de
cada setor.
Segundo ela, estão sendo reali-
zadas as atividades normais do dia a
dia de um internato. “Os estudantes
rotacionam em grupos pequenos,
passando por diversos setores do
hospital, entre eles: Enfermaria, UTI,
Centro Cirúrgico etc. Os internos são
acompanhados pelo preceptor res-
ponsável e pelos residentes do setor.
Acompanham procedimentos cirúr-
gicos, fazem evolução e prescrição
(supervisionadas) dos pacientes, en-
tre outras atividades, a depender da
área médica”, relatou.
De acordo com o chefe do Depar-
tamento de Medicina, está sendo pro-
gramada para as próximas semanas
a testagem em massa dos alunos do
Internato. “Nós faremos os chamados
testes sorológicos que deverão iden-
tificar o possível contato de algum
aluno com paciente de Covid-19 posi-
tivo”, adiantou De Marchi.

Turma 1 de Medicina da UniFAI, quando do início do Internato na Santa Casa de Araçatuba | Foto: Arquivo/UniFAI

A qualidade de
ensino não se per-
deu porque esses
alunos continua-
ram tendo aulas
com os docentes
responsáveis por
cada setor de
atendimento e, em
Adamantina, os se-
tores não pararam
as suas atividades
e mantiveram todo
o sistema educa-
cional muito bem
montado”

disse Gustavo de Souza Andrade,
aluno do 11º Termo (T1) de Medicina
e que cumpre o Internato em Ara-
çatuba, ao ressaltar que “não temos
contato direto com os pacientes sus-
peitos e confirmados com Covid-19,
ainda que as nossas atividades sejam
realizadas nos setores em que eles são
atendidos”.
“A qualidade de ensino não se
perdeu porque esses alunos continu-
aram tendo aulas com os docentes
responsáveis por cada setor de aten-
dimento e, em Adamantina, os seto-
res não pararam as suas atividades e
mantiveram todo o sistema educacio-
nal muito bem montado”, afirmou De
Marchi.
Na Santa Casa de Araçatuba, as
atividades são desenvolvidas em qua-
tro grandes áreas: Clínica Médica,
Cirurgia Geral, Ginecologia e Obste-
trícia (GO) e Pediatria, sendo que cada
área tem suas subespecialidades,
com exceção da GO. “Participamos
das atividades práticas como proce-
dimentos e teóricas com discussões
e tutorias. Todas as atividades desen-
volvidas aqui são supervisionadas
pelos médicos residentes ou chefe do
setor, a depender do estágio temos es-
quema de plantão”, contou Gustavo.
Quanto aos alunos da Turma 2
(T2), que tiveram antecipação do re-
cesso acadêmico em abril devido à
pandemia, o Departamento de Me-
dicina da UniFAI orientou que eles
retornassem para Adamantina antes
do início do Internato, oficialmente
marcado para 3 de agosto, a fim de
que passassem por uma testagem
rápida e exames para detecção da
Covid-19. “Graças a Deus, todos os
exames deram negativo. A partir
daí, eles saíram da Atenção Básica de
Adamantina para encarar a estrutura
hospitalar em Araçatuba com os EPIs
necessários. É óbvio que, enquanto

“Em todo tempo, a UniFAI bus-
cou fazer o melhor para atender as
necessidades dos alunos, sem prejuí-
zo no Ensino e na prática médica. Re-
alizamos a compras dos EPIs neces-
sários, e tudo tem corrido bem. Sem
dúvida, o trabalho dos docentes e da
coordenação do curso tem sido fun-
damental para que nada saia do con-
trole”, completou o reitor da UniFAI,
Prof. Dr. Paulo Sergio da Silva.

O INTERNATO
O Internato corresponde ao es-
tágio curricular obrigatório sob su-
pervisão direta de docentes nas Uni-
dades Básicas de Saúde (UBSs) e em
hospitais e que serve de aprimora-
mento técnico e prático daquilo que
se aprendeu na teoria do 1º ao 4º ano
do curso. De acordo com a Câmara
de Educação Superior do Conselho
Nacional de Educação (CNE), a carga
horária mínima do internato deve ser
de 35% da carga horária total do cur-
so, ou seja, uma média de dois anos de
estágio.
“Esse Internato é fundamental
para que o aluno tenha um treina-
mento para que ele possa, em primei-
ro lugar, já iniciar a sua vida profis-
sional e, depois, para poder prestar a
sua Residência Médica. Sendo assim,
o Internato é essa fase de aprimora-
mento prático e técnico”, explicou o
Prof. Dr. Miguel Ângelo De Marchi.
Os alunos do 5º ano do curso
cumprem inicialmente as atividades
do Internato na Rede Municipal de
Saúde de Adamantina e em Mariápo-
lis nos últimos seis meses nas Unida-
des Básicas de Saúde, Centro de Saú-
de I, Estratégia de Saúde da Família
(ESF) Jardim Adamantina, ESF
Cecap, UBS de Mariápolis, no Cen-
tro Integrado de Saúde (CIS), onde
há atendimento em Ortopedia,
Oftalmologia, Neurologia, Der-
matologia, Cardiologia, Moléstias
Infecciosas, Otorrinolaringologia,
Cabeça e Pescoço e Pneumologia.
E, na Santa Casa de Adamantina,
os internos viram as especialida-
des de Traumatologia, Cardiologia,
Clínica Cirúrgica, Cirurgia Plásti-
ca, Pré-anestésico, Clínica Médica,
Urologia, Endocrinologia, Enfer-
marias e Pronto Atendimento
Após esse período, os estu-
dantes realizaram as atividades
práticas por um ano e meio em
Araçatuba. Durante 18 meses os
graduandos recebem ensino didá-
tico e prático em Saúde Coletiva,
Clínica Médica, Cirurgia Geral com
Ortopedia, Ginecologia e Obstetrí-
cia e Pediatria, especialidades bási-
cas da Medicina.
O curso tem duração de 40 ho-
ras semanais e é ministrado por
um preceptor para cada grupo de
cinco alunos. Os preceptores do In-
ternato Médico são os especialistas
Luiz Cláudio Andrades Lima (Clí-
nica Médica), Everton Pontes Mar-
tins (Cirurgia Geral), Maria Lúcia
Marin Cominotti (Ginecologia e
Obstetrícia), Fabrício Benez (Orto-
pedia) e Anderson Azevedo Dutra
(Pediatria). No curso, os alunos
participam de aulas, atendimentos
da rotina hospitalar e plantões.
A Santa Casa de Araçatuba é
um hospital de alta complexidade,
considerado de excelência e refe-
rência regional para quase 1 milhão
de habitantes.

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