PCGuia264-Janeiro-2018-opt

(NONE2021) #1

HIGH-TECH GIRL


MARIZA FIGUEIREDO High-Tech Girl (hightechgirlblog.com) / hightechgirlblog@gmail.com

18 / PCGUIA

O QUE A LEVOU A QUERER APROXIMAR
EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA?
Sempre gostei de tecnologia e, durante a
licenciatura, não conseguia perceber por
que razão em quatro anos de curso apenas
uma unidade era dedicada a este tema.
As crianças têm acesso a todo o tipo de
tecnologia em casa. Por que é que o colégio
não a usa também para trabalhar os antigos
conceitos de uma forma nova? Assim, foquei
os meus trabalhos de pós-graduação e de
doutoramento nessa aproximação.
O primeiro estava mais dirigido à formação
de professores. O professor poderia ser
o fio condutor desta aproximação.


COMO FOI A RECEPTIVIDADE A NÍVEL
DOS PROFESSORES?
Encontrámos de tudo, desde aqueles que,
por falta de conhecimento, tinham receio
de que os alunos tivessem mais competências
do que eles até os mais interessados. Mesmo
assim, entre os interessados, houve quem
não quisesse pôr em prática o que aprendeu
na formação, pois acreditavam que dava
muito trabalho transmitir de uma nova
maneira conceitos tradicionais, como é o caso
da lateralidade, a noção de espaço, o pôr-se
no lugar do outro, entre outras competências
trabalhadas nestas idades. Acho que vale
a pena o trabalho que dá, pois vamos
colher os frutos mais adiante.


O SEGUNDO PROJECTO É O KIDS MEDIA LAB,
QUE RECEBEU O PRÉMIO INTERNACIONAL
‘INNOVACIÓN EDUCATIVA CON TIC’,
ATRIBUÍDO PELA ASSOCIAÇÃO ESPANHOLA
PARA O DESENVOLVIMENTO DE TECNOLOGIAS
EDUCATIVAS - EDUTEC?
Sim. É um projecto mais voltado para as
crianças. Trabalha a iniciação à programação
e à robótica em idade pré-escolar. Mas não é


«É PRECISO USAR A TECNOLOGIA COMO


FERRAMENTA PEDAGÓGICA E NÃO APENAS


COMO UMA FORMA DE ENTRETENIMENTO»


á comentei que estou em fase de
downsizing, com menos coisas, objectos
e acessórios menores, e a ocupar menos
espaço. Tem sido um processo lento em que
avanço umas vezes com mais facilidade
outras com menos, mas com algum sucesso.
Tenho, no entanto, um Calcanhar de Aquiles,

um ponto fraco que não consigo ultrapassar:
a minha caixa de email. São milhares de
mensagens que nela se acumulam sem que
eu as consiga dominar e, pior ainda, eliminar.
O Google já me deu um ultimato e eu bem
tentei usá-lo como estímulo, mas a minha
velocidade a eliminar mensagens não se

compara à velocidade com que os emails
chegam. Já li sobre o tema para inspirar-me,
já entrevistei coaches e especialistas e...
nada. Domino a teoria mas não a prática.
Suspeito que não estou só nesta jornada.
Que atire a primeira pedra quem tem menos
do que uma centena de emails acumulados!

Maribel Miranda Pinto Docente e investigadora, responsável pelo projecto Kids Media Lab

uma coisa à parte do trabalho feito na escola,
está integrado no currículo. Ajuda
a consolidar aprendizagens e competências
que as crianças têm de desenvolver nessas
idades com outras ferramentas. É uma
forma mais criativa e envolvente de bordar
os conceitos tradicionais. Os pais fazem
também parte do trabalho. Reunimo-nos
com eles com o objetivo de esclarecer e
mostrar o que vamos fazer. Transmitimos a
importância da tecnologia como ferramenta
pedagógica e não apenas como uma forma de
entretenimento. Tentamos que percebam que
não é só dar equipamentos e deixá-los soltos
nas mãos das crianças ou de simplesmente
controlar-lhes o tempo. É preciso que saibam
o que estão a fazer.

O UNIVERSO DO PRÉ-ESCOLAR É MUITO
FEMININO. COMO FOI A ADESÃO POR PARTE
DAS EDUCADORAS?
Já demos formação a mais de 160 educadores,
praticamente mulheres, na totalidade. Penso
que houve apenas um homem nas nossas
acções de formação. A grande maioria dessas
educadoras está na faixa etária acima dos
trinta anos. Parte da formação era à distância
e a outra parte presencial. Muitas, no início,
assustaram-se, mas adoraram a metodologia
e terminaram muito satisfeitas. Que tipo de
equipamentos usam nas escolas? Precisamos
de robôs, tablets, câmaras fotográficas.
Inicialmente usava alguns robôs adquiridos
no Reino Unido e nos Estados Unidos, mas
eram caros e isso limitava a nossa acção.
Através de uma reportagem numa rádio,
a marca Clementoni soube do projecto
e apoiou-nos com recursos adequados.
Assim, introduzimos o DOC, um robô
recém-lançado pela marca, como ferramenta
de apoio. Desta forma, conseguimos chegar a
mais escolas.

TITULO CRÓNICA


J


É investigadora na
Universidade do Minho
e docente na Escola Superior
de Educação do Instituto
Politécnico de Viseu. Sempre
acreditou que educação
e tecnologia deviam andar
de braços dados e está
à frente do único projeto
a nível nacional vocacionado
para levar a robótica,
a programação e o
pensamento computacional
às crianças ao nível do ensino
pré-escolar, o Kids Media Lab.
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