PCGuia264-Janeiro-2018-opt

(NONE2021) #1
4 / PCGUIA

COLUNA MADE


IN PORTUGAL


A MONITORIZAÇÃO
DA REDE ELÉCTRICA,
SEGUNDO BRUNA TAVARES

l Não é um evangelho, longe disso, mas
a importância para a sociedade será muito
maior que uma fantasia escrita há quase
dois mil anos. Bruna Tavares (investigadora
do Centro de Sistemas de Energia do
Instituto de Engenharia de Sistemas
e Computadores, Tecnologia e Ciência) foi
distinguida com o Prémio REN e vai receber
12,5 mil euros para continuar a desenvolver
o seu projecto. Em causa está um sistema
desenvolvido pela investigadora que
permite trazer uma nova luz sobre
a monitorização do estado da rede
eléctrica nacional.
O Instituto de Engenharia de Sistemas
e Computadores, Tecnologia e Ciência
(INESC TEC) explica como tudo funciona:
«Imaginemos um robô que tem um percurso
para fazer, que ao longo desse caminho
capta sinais luminosos e acústicos para
se orientar e que tem que combinar esses
sinais de modo a formar um mapa interno
que lhe explique a realidade exterior.
Apliquemos agora o mesmo conceito ao
sistema elétrico para percebermos o novo
método proposto pela investigadora, que
no fundo consiste em produzir de forma
semelhante uma fusão sensorial de sinais
captados por diferentes aparelhos para
melhor entender o estado da rede eléctrica
nacional». A REN terá visto neste novo
sistema uma vantagem apontada também
pelo INESC TEC, a de ajudar o operador
a «controlar e a aumentar a qualidade
de serviço da rede», o que vai levar
a um «melhor desempenho no serviço
prestado ao consumidor».
Actualmente, a rede nacional de energia
(controlada pela REN) tem «sensores
convencionais» espalhados ao longo do
sistema eléctrico que vão medindo o seu
estado; contudo, recentemente, surgiram
também sensores mais avançados, que
recolhem medidas do sistema eléctrico
com etiquetas temporais e de GPS. O facto
de serem mais caros torna inviável a sua
utilização ao longo de toda a rede o que
obriga a criar uma fusão entre os dois
sistemas: o convencional e este, último,
que permite recolher mais dados. É aqui
que a solução de Bruna Tavares entra:
fazer, precisamente, esta fusão dos dados
recolhidos pelas diferentes classes
de sensores. Alguns dos resultados
alcançados já foram apresentados no Texas
e vão agora continuar a ser estudados
no INESC TEC, em cooperação com o INESC
P&D Brasil, para aplicar estes métodos
à indústria.

Q


uando a Netflix me fez o convite
para ir a Berlim a um evento
de tecnologia, comecei logo a
esfregar as mãos. Já estava a pensar
em várias salas decoradas ao estilo de
algumas séries originais onde, com
TV 4K com HDR e bons sistemas de
som, poderia ver Stanger Things,
The Punisher, Dark e outras grandes
produções em todo o seu esplendor.
Mas o que a Netflix acabou por fazer
deixou muito a desejar; aliás, é
impressionante como uma marca tão
querida entre os fãs desperdiça uma
oportunidade destas para organizar um
evento marcante e que nos deixasse de
água na boca assim que pusessemos o
pé no aeroporto, de volta a Portugal.

YADA, YADA, YADA

O que a Netflix fez foi jogar pelo
seguro e deixar alguns soundbites. Por
exemplo, Greg Peters (chief product
officer) lembrou que a marca já tem
109 milhões de assinantes em todo o
mundo e que em 2017 gastou seis mil
milhões de dólares a produzir mais
de 400 filmes e séries originais. Era
interessante perceber, por exemplo,
se Portugal pode vir a ter, em 2018,
uma atençãozinha da Netflix neste
campo. Um pergunta feita que,
estranhamente, ficou sem resposta.
Pelo menos uma resposta humana, já
que a robótica está sempre garantida:
«Estamos sempre a avaliar todas as
possibilidades em todos os mercados

onde marcamos presença». Só faltou
mesmo o “bip, bip”, no final.

SILÊNCIO, QUE SE VAI CANTAR
O TAGGING
Num evento mais dedicado a
tecnologia, ficámos ainda a saber
que a aposta no som e na imagem é
para elevar de nível. Assim, vamos
ter cada vez mais conteúdos em 4K
HDR com as tecnologias da Dolby:
Atmos e Vision - aliás, numa das
boots do evento era possível ver, em
tempo real, a calibração de cor feita
por um técnico da Dolby numa mesa
de mistura. Ficámos ainda a saber
que a plataforma por excelência
para ver conteúdos Netflix é a TV (a
sério?) e que a marca está a trabalhar
com muitas marcas de televisão para
que cada comando tenha um botão
dedicado e que o sistema operativo da
smart TV já venha com a app instalada
de fábrica. Já numa boot dedicada
ao sistema de tagging da Netflix,
responsáveis da marca preferiram
silenciar as nossas perguntas
incómodas sobre a deficiente
categorização de filmes e séries, em
vez de responder de forma aberta às
questões. Estava na altura de regressar
a Lisboa sem saudades deste dia que
mais pareceu ter sido passado no
upside down de Stranger Things que
no mundo real da capital alemã.

*O jornalista viajou para Berlim a convite da Netflix.

Num evento muito morno, na sempre cidade fria de
Berlim, a Netflix desaproveitou uma bela oportunidade
para dar novidades sumarentas sobre o seu serviço.

Netflix: o upside down é


real e aterrorizou Berlim


POR RICARDO DURAND

POR RICARDO DURAND, EM BERLIM*
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