PCGuia275-Dezembro-2018-opt

(NONE2021) #1

8 / PCGUIA


O que vem à rede


Armas


de distração massiva


l Rápido, sem googlar: em que ano caiu o
Muro de Berlim? Qual Muro de Berlim? Pior:
o Muro de Berlim caiu? Tirando a parte do
Google, foi mais ou menos esta sequência
de questões a que assisti numa aula do meu
curso de Comunicação Social, há vinte anos.
A minha reacção foi a mesma que tenho
agora, quando vejo alguns comentários
e ideias nas redes sociais: algo entre
a angústia e o vómito.

O ano de 2018 foi muito difícil para
a verdade, que é a versão da realidade que
não é fabricada de forma a servir interesses
pessoais, mas a mais aceite por verificação
factual de várias fontes. Não só parecemos ter
perdido a memória, como o senso comum.
E dizem que a culpa é da tecnologia.

Não sabiam que o muro caiu? Terminámos
com ele, mas democratizámos os tijolos.
No ano em que a tática do dividir para
conquistar foi completamente digital,
provou-se que os imbecis se organizam
melhor, são mais pragmáticos e têm menos
pudor em chocar para separar. Mas culpar
a tecnologia é como culpar os martelos pelos
dedos doridos. Uns dizem que o narcisismo
e a necessidade de validar apenas aquilo em
que acreditamos é o que nos distrai. Com
todo o conhecimento humano na ponta dos
dedos, preferimos olhar-nos ao espelho e
afogar-nos nele.

Esta é também uma história que muitos não
conhecem. Se os media funcionassem, a ideia
de um polígrafo para o jornalismo não seria
necessária. Informar passou a ser igual a
entretenimento. Aquelas que deveriam ser as
armas para um mundo melhor, tornaram-se
armas de destruição passiva: memória
infinita, acesso imediato à informação,
possibilidade de participar no processo. O
que temos? Selfies e opiniões infundadas.


  1. O ano em que o Muro caiu. E nunca
    estivemos tão divididos.


ALEX GAMELA


Twitter: @alexgamela

BENS TECNOLÓGICOS DE CONSUMO


CRESCEM 6,5% EM PORTUGAL


n A GfK Portugal revelou os resultados
do estudo Temax que avalia o mercado de
bens tecnológicos de consumo e no qual
participaram 41 países, entre os quais,
Portugal. Nos dados correspondentes às
vendas dos nove primeiros meses do ano
no mercado nacional, estes registaram
uma facturação de 2067 milhões de
euros, o que corresponde a um aumento
6,5% nas vendas.

A categoria que regista maior
crescimento é a das telecomunicações,
seguida pelos pequenos electro-
domésticos e pelos equipamentos
de escritório/consumíveis.
Segundo a empresa de estudos de
mercado, a fotografia foi a única
categoria de bens tecnológicos de
consumo que registou uma quebra
de vendas (-4,6%).

APP VERDES PORTUGAL QUER AJUDAR


A AUMENTAR NÍVEIS DE RECICLAGEM


Com Portugal a falhar as metas impostas
pela União Europeia em termos de
reciclagem, qualquer ferramenta é
boa para ajudar a consciencializar a
população para esta necessidade.
A app Verdes Portugal ajuda a
quantificar e qualificar os volumes de
resíduos sólidos domésticos gerados
por dia, mês e ano em cada um dos
municípios portugueses. A aplicação,
que foi desenvolvida por Márcio Magera
Conceição, do Centro de Ecologia
Funcional da Faculdade de Ciências e
Tecnologia da Universidade de Coimbra
(FCTUC), permite perceber «os milhões
de euros que são gerados com o processo
de reciclagem já adoptada em Portugal
e todos os ganhos em matérias-primas,
energia e ganhos ambientais por
reutilizar os resíduos sólidos urbanos»,
diz o investigador. Além disso, é possível
ainda ver o valor em euros que é deitado
nos aterros sanitários e quantos

empregos poderiam ser gerados com a
reciclagem. Mas o grande objetivo da
app, de acordo com o responsável do
projecto, é mesmo promover «uma maior
consciência ambiental». M. Freire
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