(' Super Books ') #1

que, aliviados com meu retorno em segurança, tinham planejado alguns dias em
família nos Países Baixos e em Luxemburgo. Essa foi mais uma experiência de
ampliação de horizontes, um dos feriados prolongados no qual meu pai havia se
especializado e que viria a nos proporcionar durante muitos anos, desde minha
primeira viagem para a Bretanha aos dez anos de idade. Graças ao seu
entusiasmo, nós nos vimos na vanguarda do movimento turístico, viajando
centenas de quilômetros ao longo de sinuosas estradas rurais por uma Europa em
processo de emergir do trauma da guerra, visitando cidades, catedrais e museus,
e que meus pais também estavam descobrindo pela primeira vez. Foi uma
combinação tipicamente inspirada de educação através da arte e da história, e
com a satisfação das coisas boas da vida – vinho, boa comida e sol de verão –
tudo misturado aos memoriais de guerra e às campinas do cemitério em
Flandres.
De volta à escola no outono, aquelas experiências do verão arraigaram em
mim uma sensação sem precedentes de autoconfiança. Enquanto eu emergia de
minha crisálida, a escola fornecia apenas o reflexo lívido de consciência e da
autoconfiança que eu adquirira durante as viagens. Usando como inspiração as
novas formas de sátira que eu via pela televisão, eu, a monitora-chefe da escola,
inventei um desfile de moda para divertir o sexto ano, com a diferença de que
todas as peças tinham sido confeccionadas com base em itens estranhamente
adaptados do uniforme escolar. A disciplina ruiu quando toda a escola queria
entrar no palco pela escada lateral fora do salão, e a senhorita Meiklejohn
(também conhecida como Mick), a atarracada diretora castigada pelo tempo e de
cujo rosnado terrivelmente masculino dependia o bom funcionamento do
colégio, estava pela primeira vez reduzida à apoplexia, incapaz de se fazer ouvir
em meio à balbúrdia. Em desespero, ela recorreu ao megafone – que, em geral,
só era usado para dar avisos nas competições esportivas, na mostra de animais de
estimação e para controlar aquela fila indiana interminável que tínhamos de
formar ao marchar por todas as ruas secundárias de St. Albans, para os serviços
religiosos que aconteciam antigamente uma vez por ano na Abadia.
No outono de 1962, aquele ano letivo, havia muito tempo, não deveria tratar
de preparar um desfile de moda ou de qualquer outra coisa. Deveria ter sido
dedicado a me preparar para entrar na universidade. Infelizmente, não fui bem-
sucedida em termos acadêmicos. Por mais que adorássemos o presidente
Kennedy, a crise dos mísseis cubanos em outubro daquele ano teve o dom de
abalar fortemente a sensação de segurança de minha geração e destruiu de
verdade nossas esperanças em relação ao futuro. Com as superpotências jogando
perigosamente com nossa vida, não era de todo certo que fôssemos ter um futuro
com o qual nos preocupar. Enquanto orávamos pela paz sob a supervisão do