Morte em Viena

(Carla ScalaEjcveS) #1

— Sim, eu sei.
— Se sabia, por que não disse nada?
— Porque ela trabalha para mim.

Ramirez olhou sem pressa pelo espelho.
— Eu reconheço aquelas coxas. Aquela moça estava no café, não
estava?
Gabriel acenou lentamente. A sua cabeça latejava.
— Você é um homem muito interessante, Monsieur Duran. E muito
sortudo também. Ela é linda.
— Concentre-se apenas na direção, Alfonso. Ela protege a
retaguarda.
Cinco minutos depois, Ramirez estacionou numa rua paralela ao
limite do porto. Chiara passou, fez uma curva e estacionou na sombra de
uma árvore. Ramirez desligou o motor. O sol batia sem piedade no teto.
Gabriel queria sair do carro, mas o argentino queria pô-lo ao corrente
primeiro.
— Aqui na Argentina, a maioria dos arquivos referentes aos
nazistas está guardada a sete chaves no Centro de Informações. Ainda
estão, oficialmente, fora do alcance de repórteres e estudiosos, embora o
tradicional período de trinta anos de segredo já tenha expirado há muito.
Mesmo se conseguíssemos entrar nos armazéns do Centro de Informações
provavelmente não encontraríamos muito. Aliás, Perón mandou destruir os
arquivos mais incriminatórios quando foi corrido do governo.
Do outro lado da rua um carro abrandou e o homem ao volante
olhou prolongadamente para a moça na motocicleta. Ramirez também viu.
Observou o carro no seu retrovisor por um momento antes de continuar.
— Em 1997, o governo criou a Comissão para a Clarificação das
Atividades nazistas na Argentina que enfrentou logo de inicio problemas
sérios. Sabe, em 1996, o governo queimou todos os arquivos
incriminatórios que ainda tinha em posse.
— Por que razão criar uma comissão, então?
— Queriam ganhar reputação pela tentativa, claro. Mas na
Argentina, a busca da verdade não consegue ir muito longe. Uma
investigação real teria demonstrado a verdadeira profundidade da
cumplicidade de Perón no êxodo nazista da Europa durante o pós-guerra.
Também teria revelado muitos nazistas ainda a viver aqui. Quem sabe?
Talvez o seu homem também.
Gabriel apontou para o edifício.
— Então o que é isto?

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