Morte em Viena

(Carla ScalaEjcveS) #1

conforme planejado em Jerusalém, voltamos a encontrar-nos em Zurique
dentro de quarenta e oito horas.


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JERUSALÉM


A REUNIÃO FOI MARCADA para as dez da noite. Shamron, Gabriel e
Chiara, atrasados pelo mau tempo, chegaram com dois minutos de
antecedência, depois de uma rápida viagem de carro do Aeroporto Ben-
Gurion, para serem informados por um assessor que o primeiro-ministro
estava atrasado. Era evidente que havia mais uma crise na frágil coligação
governamental, porque a antecâmara do seu escritório tinha assumido o
aspecto de um abrigo temporário depois de um desastre. Gabriel contou
não menos que cinco administrativos ministeriais, cada um rodeado por
uma comitiva de acólitos e funcionários. Gritavam todos uns com os outros
como se estivem numa discussão familiar de um casamento, e uma névoa
de fumo de tabaco pairava no ar.
O assessor escoltou-os até uma sala reservada para o pessoal dos
serviços secretos e de segurança e fechou a porta. Gabriel abanou a cabeça.
— Democracia israelense em ação.
— Acredite ou não, mas hoje está calmo. Costuma ser pior.

Gabriel deixou-se cair numa cadeira. De repente percebeu que não
tinha tomado duche nem mudava de roupa há dois dias. De fato, sua calça
estava suja pelo pó do cemitério em Puerto Blest. Quando partilhou isso
com Shamron, o velho sorriu.
— Estar coberto com terra da Argentina só ajuda na credibilidade
de sua mensagem — disse Shamron. — O primeiro-ministro é um homem
que vai apreciar uma coisa dessas.
— Nunca falei com um primeiro-ministro antes, Ari. Gostaria de ter
pelo menos tomado uma ducha.
— Você está é nervoso — Shamron parecia divertir-se com isso. —
Não me lembro de ter visto você nervoso antes na minha vida. Afinal
parece que você é humano.
— Claro que estou nervoso. Ele é louco.

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