Morte em Viena

(Carla ScalaEjcveS) #1

peito do casaco, exibiu um pedaço de papel, e lançou-o sobre o tampo da
mesa. Kruz olhou para ele enquanto deslizava, em seguida levantou o olhar.
— O que é isto?
— É um número de telefone. Kruz não tocou no papel.
— Um número de telefone?
— Nunca se sabe o que pode resultar de uma situação destas.
Poderá ser necessário recorrer à violência. É possível que eu possa não
estar em condições de ordenar tais medidas. Nesse caso, Manfred, a
responsabilidade cai sobre ti.
Kruz pegou no pedaço de papel e levantou-o entre os seus dois
dedos indicadores.
— Se ligar para este número, quem vai atender?
O velho sorriu.
— A violência.


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ZURIQUE


HERR CHRISTIAN ZIGERLI, coordenador de eventos especiais do
Dolder Grand Hotel, era como o próprio hotel: digno e pomposo, resoluto e
discreto, um homem que apreciava o seu lugar de destaque na vida porque
lhe permitia olhar para os outros de cima. Era também um homem que não
gostava de surpresas. Normalmente, exigia setenta e duas horas de aviso
prévio para reservas especiais e conferências, mas quando a Heller
Enterprises e a Systech Wireless manifestaram vontade de conduzir as
negociações finais da fusão no Dolder, Herr Zigerli concordou abdicar das
setenta e duas horas de previsão em troca de uma sobretaxa de quinze por
cento. Ele podia ser atencioso quando queria, mas ser atencioso, como todo
o resto no Dolder, tinha um preço exorbitante.
A Heller Enterprises era a licitante por isso cabia-lhe tratar das
reservas: não o próprio velho Rudolf Heller, claro, mas uma vistosa
assistente pessoal italiana de nome Elena. Herr Zigerli tinha tendência a
formar uma ideia sobre as pessoas rapidamente. Ele dizia que qualquer

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