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JornalValor--- Página 3 da edição"23/03/20201a CADA" ---- Impressa por vdsilva às 22/03/2020@20:27:4 0


Sábado,domingoesegunda-feira, 21, 22,23demarçode 2020 |Valor|A


Brasil


IMPACTOSDO


CORONAVÍRUS


DiplomaciaPresidenteBolsonaroavaliatelefonarparaXiJinpingparatratardecomprasdematerialmédico


Pandemia pode amenizar crise Brasil-China


RenanTr uffi,LuAiko Otta,Daniel
Riitnere AssisMoreira
De Brasíliae Genebra

Os próximosdias vão mostrar
se éopragmatismoou a histeria
ideológicaque vai predominar
nas relaçõesatualmentetensas
entre o BrasileaChina,avaliam
fontesque conhecem bemos
doisgrandespaísesemergentes.
Se o pragmatismoprevalecer,
Brasília ePequim podemtentar
superar a crise justamente com al-
go positivo envolvendo ações con-
tra ocoronavirus: oenvio de ma-
terial médico chinês para o Brasil.
Jair Bolsonaroindicouque po-

de telefonarao presidentechi-
nês, Xi Jinping,parafalarsobre
compraou doaçãode material
médicochinês.Aexpectativaéde
queissoocorranestasemana,até
porqueoBrasilnecessitadeequi-
pamentos ehá umacorridaglo-
balporessesmateriais.
Depoisde controlarovírus em
seu território,aChinapassoua
ter superávit de equipamentos
médicos. Mas,comoa demanda
externa está aumentando, na
medidaemque o vírusse propa-
ga por diversospaíses,empresas
chinesas intensificarama produ-
ção paraganharmercados. A
Chinaécapazde produzirpelo
menos110 milhõesde mascaras
médicaspordia,porexemplo.
Pequim já vem fornecendoma-
terialmédicoparaItália,Irã,Servia,
Coreia do Sul, Japão, Paquistão e

UniãoEuropeia, em sua chamada
“diplomaciadocoronavirus”.
De acordocomcertasfontes,
se ahisteriaideológicapersistir,
aumentaráo riscode Pequimen-
gavetarprotocolose demandas
de habilitação de produtosagrí-
colasbrasileirosInclusivedeno-
vos produtos,comolácteos,atro-
pelando resultadosde muitas
viagensda ministrada Agricul-
tura,TerezaCristina,aPequim.
Em todocaso, fontesconsidera-
ram“in acreditáveis”asdeclarações
do filhodo presidente edeputado
EduardoBolsonaro,que acusou a
Chinadetercriadoapandemia.
Ao mesmotempo, as fontes
apontaram uma agressividade
exageradana reaçãodo embai-
xadorchinêsem Brasília,Yang
Wanming,que não ajudaafe-
char rapidamente as feridas.

Relaçãobilateral vaiesfriar, mas


pragmatismodeverá prevalecer


CristianKlein
Do Rio

Ex-embaixador na China, o
conselheiro do CentroBrasileiro
deRelaçõesInternacionais(Ce-
bri) RobertoAbdenur, de 77
anos,afirmouaoValorqueacrise
diplomática comopaísasiático
provocadapelodeputadofederal
Eduardo Bolsonaro(PSL-SP), fi-
lho do presidente da República,
deve esfriar a“relação calorosa”
queoBrasilvinhaconstruin do
comseu maior parceiro comer-
cial, mas não deve afetar concre-
tamente os interesses nacionais.
“NãointeressaàChinaverne-
nhumdanonarelaçãocomoBra-
sil.Osinteressesemjogosãomui-
to firmes para serem comprome-
tidospelasbobagensquesãodi-
tas peloEduardo ou pelo Ernesto
Araújo[ministrodasRelaçõesEx-
teriores]”, disseAbdenur.
Para o ex-embaixador,oprag-
matismoearesponsabilidadevão
prevaleceraté porquenestecaso “a
verdadeirachanceleré aministra
daAgricultura”, TerezaCristina,que
defendeos interessesdo agronegó-
cio,maior vítimade uma potencial
retaliaçãoda China.Cercade 80%
da soja nacionalé vendidapara o
paísasiático.Masadependênciase-
riarecíproca:“OBrasiltambéméin-
dispensável paraasegurançaali-
mentardaChina”, disse.
Comquase 1,4 bilhão de habi-
tantes, a China édestino de 28%
do comércio exterior brasileiro.
Está bemàfrente do segundoco-
locado,osEstadosUnidos(15%),e
supera até o bloco de países da
União Europeia (16%). Depois da
soja, que representa um terço da
exportação para os chineses, es-
tão opetróleo (24%)eominério
deferro(21%).

Abdenur destacou que a China
já tem “um mal-estar maior” com
a guerra comercial que trava com
os Estados Unidos.Umatrégua
entreeles ocorreu no fim do ano
passado, mas a disputaaindaéa
principal frente de conflitopara
os chineses, que devem manter a
relação privilegiada com oBrasil,
afirmouo diplomata. “Ainda sou
otimistaeachoqueessemal-estar
é passageiro. Mas foi compreensí-
vel queaembaixadada China te-
nhareagidoduramente.Alingua-
gemnãofoiexatamentediplomá-
tica.Eles desceramao nível do
EduardoBolsonaro”,afirmou.
A crise diplomática começou na
quarta-feira,quandoodeputado,
que atuacomoumaespécie de
chanceler informal no governo do
pai, responsabilizouaChinapela
disseminaçãodocoronavírus,pan-
demiaquejámatoucercade14mil
pessoas pelo mundo em menosde
trêsmeses.Emrespostadura,aem-
baixadadaChinanoBrasilafirmou
em sua contapelo Twitter que
Eduardocontraiu um “vírus men-
tal, que está infectando aamizade
entre os nossos povos”,eoembai-
xador Yang Wanming exigiu que o
filho de Bolsonaropedisse descul-
paaoschineses,oquenãofoifeito.
Quem se desculpou foram polí-
ticos eautoridades, comoo presi-
denteda Câmara dos Deputados,
Rodrigo Maia (DEM-RJ),eovice-
presidente do Senado, Antonio
Anastasia (PSD-MG),que está à
frente dos trabalhosda Casa desde
que o presidentedo colegiado, Da-
vi Alcolumbre(DEM-AP), entrou
emquarentenaparasetratardaco-
vid-19. Alémde EduardoBolsona-
ro não ter pedido desculpas, omi-
nistro Ernesto Araújo partiu nova-
menteparaa ofensivaaocobrardo
embaixadordaChina que se retra-

tasse. Na quinta-feira, Wanming
relatou ter recebido por telefone
ameaças à sua “segurança pessoal”.
Ao entrarno circuito, JairBolsona-
ro tentoucontornar a crisemas o
presidente chinês,Xi Jinping, se re-
cusoua atendê-lo,conformeinfor-
mouoValor.
ParaRobertoAbdenur,olíderda
Chinapodeter deixado de atender
Bolsonaro por alguma outrarazão
mas,seoprincipalmotivofoioim-
bróglio diplomático, “isso é desa-
gradável”epodeacrescentarum
nível a maisde gravidade na crise.
“Nãoafeta os interesses concretos,
masesfriaarelaçãocalorosaquevi-
nha de construindo”, afirmouo ex-
embaixador. Abdenursublinhou
queopróprioBolsonaromudoude
tom ao assumir o governo, depois
de ter feito uma campanhaeleito-
ral em 2018agressiva em que um
de seus bordõesera que “a China
deixaria de compraroBrasil, para
comprarnoBrasil”.Emoutubro,na
visita oficialque fez ao país, Bolso-
naroassinouacordos com Xi Jin-
ping nas áreas de agropecuária, in-
fraestrutura,energiaeeducação.
Em novembro, em Brasília,no
encontroanualdos paísesemer-
gentesdos Brics (Brasil,Rússia,Ín-
dia, Chinae Áfricado Sul), Bolso-
naro ensaiououtropassoàmaior
aproximação,em declaraçãomais
pragmáticado que ideológica,
quandodisseque “a Chinaé cada
vezmaispartedofuturodoBrasil”.
ParaAbdenur,arelaçãocomaChi-
na é“muitorica”eenvolve além
dos Bricsoutrosfórunseinstitui-
ções comooG-20 -grupodos paí-
ses que representam90% do PIB
mundial-eo Novo Bancode De-
senvolvimento(NDB)dosBrics.
Abdenur, que tambémfoi em-
baixador em Washington, lem-
brouque a relação com aChina é

até “mais fácil” poisogovernodo
país,dirigidonumsistemadepar-
tido único, propiciaa existência
de um interlocutor jáconhecido.
Mais preocupante, em sua opi-
nião, éarelação de total alinha-
mento de Bolsonaro com os Esta-
dos Unidos e, especificamente,
com o governo de Donald Trump.
Caso haja uma guinada, nas elei-
ções desteano, e ocandidato de-
mocrata –provavelmente Joe Bi-
den, ex-vice-presidentedurante a
administraçãodeBarackObama-
vença o presidenterepublicano
Trump, atendência éque oBrasil
possa sair prejudicado, apesar de
certa “inércia da máquinaameri-
cana” referente aacordos diplo-
máticos.“Sehouverreviravoltano
quadro da políticaamericana,va-

mos perder essa boa vontade em
relaçãoaoBrasil”,disseAbdenur.
Paraoex-embaixador,ofluxode
comércio do Brasil coma China
neste ano poderá verificar uma
eventualredução não por uma re-
taliação mas pelo “simples fato” de
que opaís asiático, por causados
efeitos do coronavírus, tenhauma
queda abrupta do PIB.No ano pas-
sado,ocrescimentodaChinajáha-
via sido de 6,1%,em meio à guerra
comercial com os EstadosUnidos.
Emboramuitoaltoparaospadrões
brasileiros e de outraseconomias,
foi a menorexpansão da atividade
chinesa em 29 anos.Na semana
passada,o bancoUBS revisou a
projeção do PIB da potênciaasiáti-
caem2020para1,5%.
Comisso,arigor,oproblema

dapolíticaexternabrasileiranão
é, exatamente, aChina, mas uma
espécie de “conjunto da obra”
comostrês maiores parceirosco-
merciais, incluindo a os Estados
Unidos eaUniãoEuropeia,disse
Abdenur. No caso dos europeus,
pesacontraoBrasilodescasocom
queBolsonarotrataaquestãoam-
biental e arelação extremamente
beligerante que protagonizou
com os líderes das duasmaiores
potências do bloco.“Bolsonaro já
está queimado com o[presidente
da França Emmanuel] Macron,
coma [chanceler alemã Angela]
Merkel, e com a União Europeia.
HáoriscodeoBrasilficarcrescen-
tementeisolado. Mais uma razão
paranão se abalar a relação privi-
legiadacomaChina”,afirmou.

Jair Bolsonaro tentou virar a página, mas ela rasgou


PhilipYa ng
Para oValor, de São Paulo

Semana passada, vimos opresi-
dente Trump, repetidamente, atri-
buir àChina a culpa pelaorigem e
difusão do novocoronavírus pelo
mundo. Ato contínuo, o deputado
Eduardo Bolsonaro reproduziu
acusaçãode idêntico teor, defla-
grandoumconflitosempreceden-
tes no relacionamento diplomáti-
coentreBrasileChina.
Qualserá o sentido e a motiva-
ção dessa acusação?Não me im-
porta se você,leitor, votouou não
em Bolsonaro; se vocêama ou
odeia osocialismo. Pensoque,
diantedo episódio, devamostodos
buscardestilar opotencialsignifi-
cadocontidonasmanifestaçõesdo
jovem congressista. Haveriaalgo,
por menor que seja, na expressão
do parlamentarque represente al-
guminteressecoletivobrasileiro?
Ciente das preferências ideoló-
gicasedas “bolhas”que dividem
hoje asociedade, buscocomparti-
lhar tal indagaçãosem emitir
qualquer juízode valor, apenas
trazendo à tona a sequência de
questões queme vêm àmente de-
poisdoocorrido.
Antecipo que não tenhorespos-

tas às perguntas que suscitareiao
longo do texto. Imaginoque as pes-
soas que eventualmente as tenham
preferirão permanecerem silêncio,
ousemanifestardeformareservada,
procurandomais oocultamento à
revelação.Semmaispreâmbulos,se-
guemminhasinterrogaçõesque,es-
pero, possamacrescentaralgoàs
questõesprópriasdosleitores.
O teor igualde ambasas declara-
ções, na sequência, de Trumpe
EduardoBolsonaro,ochamado03,é
uma coincidência ou terá sido arti-
culada entre os grupos políticos de
extrema-direita aos quais perten-
cem os presidentesdo Brasil edos
EUA?Podemos sempre imaginar
que aidolatria do jovemdeputado
seja meramente derivadade admi-
raçãopelo líder americano, hoje um
ícone de grupos do conservadoris-
moextremomundial.
Podemos, num segundo de-
grau, pensarque o congressista se-
jamovidoporfervorososentimen-
todeidentidadepolítico-ideológi-
ca. Nessecontexto, amanifestação
do03corresponderiaaumasinali-
zaçãode adesão ede fidelidade ar-
dentes à corrente de pensamento
que moveaultra-direita america-
na. Afinal, oparlamentar acabara
de regressar da Conservative Poli-

tical Action Conference(CPAC), a
UniãoConservadoraAmericana,
evento que contou com a partici-
paçãodeseuídoloTrump.
No limite, podemosimaginar
que ojovem políticobrasileiro te-
nhasidoimpelidoafazertremular
uma bandeirade mobilizaçãopo-
lítica, do tipo: “Ultra-direitistas do
mundo uni-vos”. É, aliás, conheci-
da a afirmação eprincipal ideia fi-
xa de SteveBannon, o guru-chefe
do 03, de que “we're at economic
war with China [nós estamos em
guerraeconômica com a China]”.
Quemsabe,no imaginário do par-
lamentar, seja esse o desígnio de
carreira política, odeparticipar
dessaguerra contra os socialistas
chineses, ou de mobilizar as mas-
sasporlemaspopulistas,seguindo
asorientaçõesdoseuguru-chefe.
Tambémparece óbvioaacusa-
ção de EduardoBolsonaro aconte-
cerlogoapósaviagempresidencial
de quatro dias à Flórida, durante a
qual foi assinado Acordode Coo-
peração Militar. Numdegrauaci-
ma de questionamentos, podemos
ainda suporque grupos de pressão
possamter atuado para que, no te-
ma atinenteà implantação das re-
des 5G —certamente aquestão in-
fraestruturalmaisimportantepara

a transição para a novaeconomia
—, que a arquitetura a ser adotada
não seja chinesa,mesmoos EUA
não detendotecnologias alternati-
vas.Nessecontexto,adifamaçãoda
Chinaatenderiaàguerraeconômi-
cacontraaChina.
Numúltimo níveldeespecula-
ção, podemos imaginar, por fim,
que integrantes das comitivas dos
dois países possam ter chegado à
conclusão de que, no contexto do
virusplanismoanticiência de am-
bos os dignitários, aconstrução de
uminimigocomumseriaamelhor
estratégiade salva-facepara ama-
nutenção dos respectivos status
quo.Historicamente, comosabe-
mos,aexistênciadeinimigos,reais
ou imaginários, semprefoi fator
de arregimentação de forçasede
uniãonacional.
Numquadro geralde incertezas
de toda anatureza, inclusive eleito-
rais,esses grupos terão eventual-
mentepensadoqueacaracterização
da China comoainimigados dois
países poderialhes render frutos.
Nadamelhor,portanto, nessecon-
textodaameaça do novocoronaví-
rus,doquedemonizaraChinacomo
a grande causadora desse tenebroso
acidentesanitário-biológico.
A verdadeé que o presidente

Bolsonaro não condenou nem
aprovoua grave acusação de seu fi-
lho Eduardo. Eficamos assim sem
saber se o episódio foi umamani-
festação destrambelhadade um
congressista fanfarrãoou se se trata
de uma ação de alta política, em ní-
vel tático,pelas forças hoje no po-
der,no Brasile nos EUA. Porisso,
dificilmente saberemos comsegu-
rançase a motivaçãoédealta estra-
tégia, ou, ainda, de raiz particularis-
ta, ideológica e político-eleitoral.
Na ausência da manifestação
presidencial, a presidência do Se-
nado,cientedagravesituaçãopara
as relações bilaterais, emitiuna
quinta-feira uma nota oficial(Ofí-
cio223/2020/PRESID)paraopresi-
dente Xi Jinpingpedindo descul-
pas formais, sem expressar objeti-
vamenteomotivo. Lê-se odocu-
mentomas não se depreende o
motivo explícito da comunicação.
Desculpaspor qualmotivo? Em
todocaso,foi correta ecorajosa a
tentativa do Senadode proteger as
relações bilaterais, demonstrando
para a China que o Congresso Na-
cional confirma aimportânciaes-
tratégicadenossaparceria.
Numa derradeira tentativade
escapar do imbróglio diplomático
(e do incômodode desautorizar o

seu próprio filho), opresidente
buscouligar paraos eu homólogo
Xi Jinping.Como era de se esperar,
o presidente chinês recusou a cha-
mada, mandandoavisar que a res-
tauração da normalidade só virá
com pedido direto formal de des-
culpasdoparlamentar.
Da mesma forma quereage
quandoinstado afalar sobreoseu
posicionamento anti-China do
passado,opresidenteBolsonaro
vem afirmando que oepisódio en-
volvendooseufilho“éumapágina
virada”. De fato, Bolsonaro tentou
virá-la, mas Xi asegurou, eapági-
narasgou.Avocê,leitor,ficaocon-
vite para refletir se essa é a política
externa que desejaparaoseu país.
Como cidadão, prefeririapensar
na China comopotencialparceiro
paraalavancar,cominvestimentos
e tecnologias, a participação efeti-
va do Brasilna Revolução Indus-
trial 4.0 pela infraestrutura ade-
quadadenossascidades.

Philip Ya ng,empreendedor e ativista
urbano, fundadordo Instituto Urbem;
mestre em administraçãopública por
Harvard e graduado pelas academias
diplomáticas do Brasil e da Suíça; serviu
nas embaixadasdo Brasil em Washington
e Pequim,entre 1995 e 2001

Roberto Abdenur,ex-embaixadornaChinae conselheirodoCebri:pragmatismoe responsabilidadevãoprevalecer


SILVIA COSTANTI/VALOR

Aparentemente, embaixadores
chinesestêm umanovainstru-
çãopararesponderacríticascom
especial ferocidade, como já
ocorreu tambémem rusgas com
Suécia,Noruega,Holanda.
Goste-se ou não do presidente
Jair Bolsonaro, o Itamaraty preci-
sa atuar. Na avaliação pratica-
mente consensual de diplomatas
experientes, Yang cruzou uma li-
nha vermelha ao atacar o líder de
um paíscom quemaChinaman-
témuma relação ampla eprag-
mática, principalmente do ponto
devistaeconômicoecomercial.
Em outrafrente,tambémpas-
sou aexistiruma “diplomacia fe-
derativa”, comEstados brasilei-
ros procurando diretamente a
China paraobterequipamentos
médicos.Um bomnúmero de
governadoresbrasileiros já visi-

tou a Chinanos últimos meses,e
por isso passoua acionara em-
baixadachinesa em Brasíliasem
passarpelogovernofederal.
Essa aproximaçãoacontece
nummomento de trocade farpas
entre os governadores e Bolsona-
ro, criticado por não compartilhar
informações e decisões com os
chefesdosexecutivosestaduais.
A primeira ofensiva por uma
ajudadoschinesespartiudoCon-
sórcio Nordeste,formado pelos
nove Estados que compõem a re-
gião. O grupodivulgou uma car-
ta, assinada pelopresidente do
consórcio e governador da Bahia,
Rui Costa(PT-BA), na qualpede
“apoio” e“colaboração” por meio
do envio de materiais médicos,
insumos e equipamentos que
possam ajudarnas açõesde com-
bateàdisseminaçãodadoença.

“Emespecial,temosnecessida-
dedeleitosdeUTIerespiradores,
pois asprojeçõesde enfermosin-
dicamque haverá um déficitdes-
te equipamentono momentodo
picoda epidemia”, diz o texto.
Rui Costaécostumeiramentecri-
ticadopor Bolsonaropor ser do
PT.No documento,entregueao
embaixadorYang Wanming,o
governadorbaianotambém elo-
gia ogovernochinêspela forma
comooparceiro comercialen-
frentouoproblema.
O caminho foi o mesmo adota-
do pelo governadordo Distrito
Federal, Ibaneis Rocha (MDB-DF).
Alémdadoaçãodesuprimentose
equipamentos médicos, Ibaneis
pediuainda a“prestaçãodeassis-
tência de qualquer natureza”,
mas “especialmente” orientações
decombateàdoença.

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