CHARLOTTE

(Casulo21 Produções) #1

faz isso. Eles precisam ser forçados a se apoiar para um dia chegar à posição ereta
do corpo.
A fase seguinte consta em subir as escadas laterais e deixar o corpo
pendurado pelas mãos que se seguram nos degraus de madeira da parte superior.
Charloe, como todos os meninos e meninas que já ulizaram o
braqueador, nha pavor de se pendurar nele. A impressão que se tem neste
exercício é que as mãos não vão ter força suficiente para segurar o corpo no ar,
que a qualquer momento podem soltar-se. Quando é muito pequena, como os
gêmeos Lucas e Gabriel, a criança tem as mãozinhas presas pelas mãos de um
adulto.
O medo de altura é uma das barreiras que o indivíduo que se exercita no
braqueador deve perder. A sua ulização tem como intuito, portanto, adaptar a
criança a uma vida normal, deixá-la brincando sozinha num parquinho, por
exemplo.
Na primeira vez que Charloe subiu num escorregador, no parque do Sesi,
ficou sentada, sem coragem de deixar o corpo cair. Atrás dela, uma fila de crianças
esperava a vez para brincar. Ao lado, a professora não conseguia convencê-la a
descer. Vendo tudo de longe, um velhinho que cuidava das plantas do local,
lembrou o que a mãe de Charloe fazia com ela e se aproximou da base do
escorregador: "Vem Charloe, eu estou aqui, tu consegues, garota!" A menina
desceu.
Por causa de episódios como este, Bernadete trabalha constantemente a
confiança, a autoesma e a determinação com os alunos e professores da escola.
Pelas paredes pode-se encontrar palavras de incenvo como: "Recebo. Agradeço.
Dou". É preciso acreditar que a cura é possível. Lá dentro, cada caso é diferente e
recebe tratamento individual, mas em todos eles, a fé é a principal ferramenta. É
preciso, antes de tudo, acreditar.

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