National Geographic - Portugal - Edição 233 (2020-08)

(Antfer) #1

PANDEMIASDOPASSADO 9


Passageirosagrupam-senoconvésdoGrandPrincess,enquantoo naviosepreparaparaacostarnadocadeOakland
(EUA)nodia deMarço.Asautoridadesmantiveramo navioemquarentenanomar,durantealgunsdias.Porfim,mais
decempassageirose tripulantesapresentaramresultadospositivosnotesteà COVID -.Muitosmembrosestrangeiros
datripulaçãotiveramdepermanecera bordo,impossibilitadosderegressara casadevidoà proibiçãodedeslocações.
GABRIELLELURIE,SANFRANCISCOCHRONICLEVIAGETTYIMAGES

Pouco antes do pôr do Sol, o
Pike aproximou-se de um salva-
-vidas arriado pelo Grand Prin-
cess. Michael e a sua equipa, ainda
enjoados, encontravam-se agora
também semiensurdecidos e cegos
pelo equipamento de biocontenção
que usavam. Um a um, saltaram
primeiro para o salva-vidas e, de-
pois, enquanto a embarcação embatiacontrao
casco do navio, para uma escada, trepandoaté
ao convés para começarem o seu trabalho.
Nesse momento, o mundo inteiro estavaigual-
mente a dar um salto para o desconhecido.Ou
melhor falando, para algo que já estavaesque-
cido. As epidemias sempre assolarama espécie
humana e as pandemias também, desdequenos
espalhámos pelo globo. Ensinaram-noslições
importantes e oxalá consigamos recordá-las
quando o perigo passar. As novas pandemias,
como a COVID-19, têm uma maneira especialde
nos lembrar a facilidade com que podemosin-
fectar outra pessoa, sobretudo aquelesquenos

são queridos. Lembram-nos como
o medo do contágio nos obriga
ao distanciamento. Como o isola-
mento pode ser devastador e como
muitas vezes os doentes morrem
sozinhos. Acima de tudo, a pan-
demia recorda-nos até que ponto
dependemos de pequenos grupos
de pessoas como Michael Callahan
que arriscam a vida para combater as doenças.
Muitas vezes, estas pessoas tiveram dema-
siadas fraquezas ou foram demasiado humanas
para se encaixarem no tradicional perfi l do he-
rói. Em pandemias passadas, esse papel coube
a indivíduos dispostos a ignorar as convenções,
deixando-se guiar por pequenas pistas, aparen-
temente insignifi cantes, ou por vozes inespe-
radas. É também fundamental reconhecer que
um acontecimento num recanto esquecido do
planeta pode repetir-se aqui também. Para com-
preendermos o papel destes combatentes das
pandemias, começamos por abordar uma das
piores doenças da história da humanidade.

ILUSTRAÇÕES DE JOE McKENDRY

Michael Callahan
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