Dragões - 201707

(PepeLegal) #1

aqui para trabalhar e os resultados
vão surgir naturalmente.


É ainda mais difícil gerir as
expectativas dos adeptos depois
de quatro anos sem conquistar o
campeonato?
É difícil, porque os adeptos do
FC Porto habituaram-se a ganhar.
Nos últimos 25/30 anos, o FC Porto
ganhou muitos títulos nacionais
e internacionais, por isso não
está habituado a estar quatro
anos sem ganhar, à exceção de
uma Supertaça. Temos essa


responsabilidade, que é uma
boa responsabilidade dentro de
um mau momento. Temos que
ganhar e essa é uma situação
clara nesta casa. Não fugimos a
essa responsabilidade. A exigência
dos adeptos poder-se-á notar aqui
ou acolá, mas nós não podemos
funcionar consoante o humor
dos adeptos. Temos é que fazer
tudo para dar alegrias aos nossos
adeptos, isso é o mais importante.
Momentos menos bons vão
acontecer com certeza, mas os
adeptos vão perceber que têm

uma equipa que vai dar tudo em
campo. Isso é algo fundamental
para o adepto do FC Porto. Até se
pode perder, mas perder é uma
palavra que não entra no nosso
vocabulário e tudo depende
da forma como se perde. Gosto
dos adeptos que vibram, pois eu
também sou assim como treinador
e já era assim como jogador. Não é
agora que vou mudar.

O Sérgio Conceição é hoje um
treinador menos emotivo e
efusivo ou, se preferir, mais

comedido?
Não programo nada e tudo me sai
de forma natural. Há momentos
em que vou gritar lá para dentro
e outros em que estarei mais
tranquilo, mas tudo depende do
jogo. Quando tiver que festejar,
festejo, corro e salto. Mas essa é a
minha forma de estar e de ser. Não
é agora que vou mudar e nem me
sentiria bem a fazê-lo.

A composição do plantel é
sempre uma incógnita até ao
fecho do mercado, mas são

REVISTA DRAGÕES julho 2017

TEMA DE CAPA #


“É uma grande


responsabilidade treinar


uma equipa que tem


obrigatoriamente de


estar ligada à conquista


de títulos. É isso que me


faz levantar diariamente


e estar aqui de corpo e


alma. Eu e os jogadores,


como é óbvio.”


expectáveis muitas mudanças
em relação ao da época passada?
Não muitas, apesar de já terem
saído alguns jogadores. É
conhecido o momento difícil
em termos financeiros e todas
as restrições que temos a esse
nível, mas não quer dizer que
eu e o presidente não estejamos
a preparar a entrada de um ou
outro jogador que consideramos
importante. O FC Porto também
tem jogadores que estavam
emprestados e que têm valor para
fazer parte deste grupo.

Confirma, então, que alguns
jogadores que estiveram
emprestados na época passada
têm boas possibilidades de fazer
parte do plantel?
Acho que sim. Por norma, temos
tendência a dar mais valor a quem
está fora, noutros campeonatos,
mas eu não vejo as coisas apenas
dessa maneira. O campeonato
português é difícil, competitivo e
atrativo. Vi que o FC Porto tinha
jogadores emprestados que agora
têm todas as possibilidades de
fazer parte deste grupo e até fazer

parte da equipa titular várias
vezes.

Aquando da sua apresentação,
entre outras coisas, disse que
gosta de potenciar jogadores e
fazê-los crescer. Acredita que
no FC Porto existe muito talento
para ser trabalhado?
Há talento e qualidade, sem
dúvida, mas isso é uma
consequência normal do trabalho.
A forma como se treina e como
jogamos vai naturalmente fazer
os jogadores crescer e evoluir. Ao
longo da minha carreira tenho
conseguido fazer isso, até porque
não me incomoda nada lançar
jovens na equipa. Não me importa
a cor do cabelo, a cor da pele, a
nacionalidade ou até o estatuto,
desde que o jogador dê a resposta
que eu quero dentro do campo.
Espero que no FC Porto isso
aconteça com alguns jogadores
e que no fim desta época, além
de sermos campeões nacionais,
que é o nosso principal objetivo,
possamos proporcionar algumas
vendas fantásticas para o clube. É
o trabalho do treinador também.

Com o Sérgio Conceição vamos
ter um treinador ainda mais
atento aos talentos da formação?
Um dos meus primeiros
pedidos quando cheguei foi
para colocarem sempre no meu
gabinete os jogos e os resultados
das nossas equipas de formação.
Gosto de acompanhar e olho para a
formação com bons olhos. Depois,
as oportunidades que alguns
terão, ou não, depende deles. Mas
existe essa ligação entre a equipa
principal e as outras, sobretudo
a equipa B, na qual o Folha está a
realizar um grande trabalho.

Há jogadores do plantel da
época passada que considera

imprescindíveis para aquilo que
são as suas ideias?
Há vários e já tive essa conversa
com o presidente. Aliás, numa
das primeiras conversas que tive
com ele, disse-lhe que devíamos
guardar ou ficar com uma base
importante da época passada. Não
podemos esquecer que o FC Porto
não foi campeão no ano passado
por um ou outro empate. Ou seja,
tinha já na época passada um
grupo com qualidade e é dentro
desse caminho que queremos
continuar.

Vamos ter um FC Porto fiel ao seu
histórico 4-3-3 ou são de esperar
novidades?
Creio que são de esperar algumas
novidades. Claramente há sempre
um sistema ao qual somos fiéis e
no qual acreditamos, dependendo
das características dos jogadores,
mas também há sempre um
sistema alternativo. São coisas que
se trabalham e das quais poderei
falar mais tarde, com muito gosto,
mas nesta fase inicial prefiro não
me alongar sobre isso.

As equipas de Sérgio Conceição
têm, por natureza, uma vocação
ofensiva?
Sim, eu gosto de equipas ofensivas,
mas também gosto de ser
equilibrado naquilo que é o jogo.
Não podemos esquecer que ser
forte ofensivamente pode trazer
dissabores a nível defensivo, por
isso tem que haver sempre esse
equilíbrio. Não podemos dissociar
as duas organizações, mas isso tem
de ser trabalhado. Não escondo
que gosto de equipas ofensivas,
que sejam objetivas na procura
do golo. Há um princípio básico da
organização ofensiva: se tivermos
cinco jogadores no último terço,
o adversário tem que ter seis,
ou sete, ou oito, contando com o

“ACREDITO MUITO QUE
VAMOS GANHAR O CAMPEONATO”
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