Governo finalmente fecha com a Pfizer
Banco Central do BrasilCorreio Braziliense/Nacional - Brasil
terça-feira, 9 de março de 2021
Banco Central - Perfil 1 - Paulo GuedesClique aqui para abrir a imagemAutor: Marcos Correa/PR
Depois de muita relutância e acusações à farmacêutica
de querer jogar para o governo federal o ônus das
eventuais ações judiciais relativas a efeitos colaterais, o
Palácio do Planalto acertou um acordo com a Pfizer
para obtenção de 14 milhões de doses da vacina contra
a covid-19. De acordo com o ministro da Economia,
Paulo Guedes, os imunizantes serão entregues até o
mês de junho, sendo que uma remessa com 5 milhões
de doses chegaria ao país antes desse prazo. A
assinatura do contrato, contudo, ainda não aconteceu. A
vacina é a única que possui registro definitivo da
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
De acordo com os dados colhidos pelo Conselho
Nacional de Secretários de Saúde (Conass), que são
reproduzidos pelo Ministério da Saúde, pela primeira
vez o número de mortos pela covid-19, em 24 horas,
ficou abaixo de mil: 987 óbitos. O total de vidas perdidas
no Brasil, porém, está em 266.398, com uma taxa de
mortalidade de 126,8 por 100 mil habitantes. A taxa de
letalidade no país é de 2,4%.
Depois de reunião com a cúpula mundial do laboratório,
ontem, que contou com presença do presidente Jair
Bolsonaro, de ministros e do CEO do laboratório, Albert
Bourla, Guedes afirmou que "a vacinação em massa é a
primeira prioridade do governo". Ele acrescentou, ainda,
que o governo está empenhado em "vacinar e manter a
economia em movimento"."A solução para o Brasil é vacinar para manter
imunidade da população e preservar sinais vitais da
economia. O presidente da Pfizer disse que o Brasil é
muito importante, são 200 milhões de brasileiros. Ele se
comprometeu a olhar para essa expansão potencial e
vai olhar com carinho futuros aumentos na produção do
Brasil", disse o ministro da Economia, acrescentando
que a Pfizer informou ao governo brasileiro que vai
aumentar a produção diária de 1,5 milhão para 5
milhões de doses.Segundo Guedes, houve "problemas de escala" na
negociação com a Pfizer. "Os dois lados demoraram um
pouco com as negociações, mas temos que olhar pra
frente", completou. A decisão do governo brasileiro pela
compra da vacina da Pfizer só veio semana passada,
depois de meses rejeitando propostas feitas pela
empresa, que foi o primeiro dos grandes laboratórios a
procurar o Ministério da Saúde para oferecer o fármaco,
em 2020.Em agosto passado, o governo federal recusou uma
oferta de aquisição de 70 milhões de doses do
imunizante. E, em dezembro passado, em reunião com
governadores, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello,
chegou a dizer que "se houver demanda e houver
preço, nós vamos comprar" -- em resposta ao
governador João Doria, sujeitando a aquisição de
imunizantes à quantidade e ao valor a ser cobrado pelas
doses.A mudança de postura do governo federal deve-se ao
fato de que o presidente Jair Bolsonaro ordenou a
Pazuello que negocie todos os contratos possíveis para
a obtenção de vacinas, antes que estados e municípios