Danielle Steel - As Irmãs PT

(Carla ScalaEjcveS) #1

comprava uma roupa nova. A moda nunca lhe despertara o menor interesse. Annie comia,
dormia, bebia, vivia e respirava arte. Era o que ela conhecia e amava, e Charlie, o seu
namorado actual, era tão apaixonado por arte como ela. Há quase seis meses que eram
inseparáveis, viajando juntos por toda a Itália, estudando tanto as obras de arte
importantes como as obscuras. O relacionamento de ambos decorria bastante bem. Tal
como Annie contara à mãe pelo telefone, ele era o primeiro artista normal que conhecera
até agora, e ambos tinham muitas coisas em comum. A única preocupação de Annie era o
facto de ele fazer planos para regressar a Nova Iorque no final do ano, a menos que ela
fosse capaz de convencê-lo a ficar. Todos os dias tentava influenciá-lo a prolongar a sua
estada em Florença. Mas na qualidade de cidadão americano, Charlie não podia trabalhar
legalmente em Itália e o seu dinheiro iria acabar, mais cedo ou mais tarde, por esgotar-se.
Devido ao apoio dos seus pais, Annie poderia viver em Florença o tempo que quisesse.
Estava bem ciente desse facto e profundamente grata pela bênção que eles lhe
proporcionavam.
Annie prometera a si mesma ser independente em termos financeiros quando chegasse
aos trinta anos, na esperança de vender os seus quadros numa galeria até essa altura. Já
fizera duas exposições numa pequena galeria de Roma e vendera vários quadros.
Contudo, nunca o teria conseguido sem o auxílio dos seus pais. Por vezes isso
embaraçava-a, mas ainda não podia sequer sonhar em viver uma vida independente com
a venda dos seus quadros e talvez isso não acontecesse nos próximos anos. Charlie, por
vezes, metia-se com ela por causa disso, sem malícia, mas nunca deixara de salientar que
ela era uma sortuda e se estava a morar numas águas-furtadas com aspecto degradado,
isso não passava de uma fraude. Os pais dela tinham dinheiro para lhe alugarem um
apartamento decente, se Annie assim o entendesse. Por certo que esse não era o caso da
maior parte dos artistas que conheciam. E por mais que Charlie pudesse provocá-la devido
ao facto dos pais a sustentarem, tinha um profundo respeito pelo talento dela e pela
qualidade do trabalho que ela produzia. Não havia qualquer tipo de dúvida no seu
espírito, ou no de quem quer que fosse, que Annie possuía o potencial para se tornar uma
artista verdadeiramente extraordinária; mesmo aos vinte e seis anos de idade, já estava
bem encaminhada. O grosso do trabalho dela revelava profundidade, conteúdo e uma
habilidade notável em termos de técnica. O seu sentido das cores era delicado. Os seus
quadros eram um claro indício de que ali havia um dom genuíno. E quando Annie
dominava um assunto assaz difícil, Charlie dizia-lhe o quanto se sentia orgulhoso dela.
Charlie pretendia viajar com ela até Pompeia nesse fim-de-semana para estudarem os
frescos que aí havia, mas Annie dissera-lhe que iria a casa passar uma semana, para a
festa do feriado do Quatro de Julho que os pais costumavam dar todos os anos.
— Qual é a grande importância disso?
Charlie não era muito apegado à sua família e não fazia tenções de visitá-los durante o seu
ano sabático. Já mencionara mais de uma vez que achava uma criancice da parte dela ser
tão ligada às irmãs e aos pais. Afinal de contas, Annie tinha vinte e seis anos.
— É importante, porque a minha família é muito unida -— explicou ela. — Não tem nada a
ver com o feriado do Quatro de Julho, mas sim com o facto de ir passar uma semana com
as minhas irmãs, com a minha mãe e com o meu pai. Também vou sempre a casa no Dia
de Acção de Graças e no Natal — preveniu Annie, para que Charlie não ficasse

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