Danielle Steel - As Irmãs PT

(Carla ScalaEjcveS) #1

opções por onde escolher e era muitíssimo requisitada, na qualidade de celebridade, de
mulher e de convidada. Toda a gente queria poder dizer que ela iria lá estar, para que os
outros também aparecessem. As pessoas usavam-na como isco e como prova do seu valor
social. Era um fardo pesado de carregar e muitas vezes ultrapassava o limite, raiando a
exploração, mas Candy não parecia importar-se e estava habituada a isso. Ia onde queria
ir e onde achava que se divertiria mais. Mas desta vez surpreendeu-o. Apesar da sua
beleza incrível, Candy era uma mulher de muitas facetas e não era a beleza oca e
superficial que alguns julgavam. Candy era não só linda como também honesta e muito
inteligente, se bem que ainda um pouco ingénua e jovem, apesar do seu sucesso. Matt
gostava disso nela. Não havia nada de enfadonho em Candy e ela gostava de tudo o que
fazia.
— Não posso ir a St. Tropez — disse ela, espetando o garfo na alface.
Até ao momento, Matt vira-a engolir, de facto, dois pedaços de alface.
— Tens outros planos?
— É isso — limitou-se ela a responder, sorrindo. — Tenho de ir a casa. Os meus pais dão
uma festa todos os anos no feriado do Quatro de Julho e a minha mãe matava-me se eu
não aparecesse. É uma representação de praxe tanto para mim como para as minhas
irmãs.
Matt sabia que elas eram unidas. Nenhuma das suas irmãs era modelo e, se ele bem se
lembrava, Candy era a mais nova. Ela falava muito da família.
— Não vais fazer os desfiles de alta-costura na semana que vem?
Era quase sempre a noiva escolhida da casa Chanel e fora a eleita de Saint Laurent antes
da casa ter fechado. Candy fazia uma noiva espectacular.
— Este ano não. Vou tirar duas semanas de férias. Prometi. De uma maneira geral,
costumo ir a casa para esta festa e depois volto mesmo a tempo dos desfiles. Este ano
pensei em ficar em casa durante umas duas semanas a descansar. Desde o Natal que não
vejo as minhas irmãs todas juntas no mesmo sítio. É muito difícil com toda a gente longe
de casa, em especial eu. Mal estive em Nova Iorque desde Março e a minha mãe tem-se
queixado, por isso vou ficar em casa durante duas semanas; depois disso parto para
Tóquio para uma sessão fotográfica para a Vogue japonesa.
Era aí que a maioria das modelos ganhava muito dinheiro e Candy ganhava mais do que a
maioria. As revistas japonesas de moda sufocavam-na. ""Adoravam o seu aspecto de
rapariga loura e a sua altura.
— A minha mãe fica mesmo pior que estragada quando eu não vou a casa — acrescentou
Candy e Matt riu-se. — Afinal qual é a graça?
— És tu. És a modelo mais famosa do ramo e estás preocupada porque a tua mãe fica
furiosa se não fores a casa para o churrasco do Quatro de Julho, o piquenique, ou lá o que
é. É isso que eu adoro em ti. Na verdade, não passas de uma garota.
Candy encolheu os ombros com um sorriso maléfico.
— Eu adoro a minha mãe — disse ela com sinceridade —-, e as minhas irmãs também. A
minha mãe fica deveras transtornada quando nós não vamos a casa. No feriado do Quatro
de Julho, no Dia de Acção de Graças, no Natal. Uma vez faltei ao jantar do Dia de Acção de
Graças e ela moeu-me o juízo sobre isso durante um ano. No entender dela, a família está
em primeiro lugar. Eu acho que ela tem razão. Quando eu tiver filhos, também vou querer

Free download pdf