BEM-ESTAR - O caos perfeito em nosso sistema
Banco Central do Brasil
Jornal O Globo/Nacional - Saúde
Wednesday, March 2, 2022
Cenário Político-Econômico - Colunistas
Click here to open the image
Autor: Marcio Atalla
Mais do que nunca precisamos ter consciência de que
devemos cuidar de nós mesmos, de nossa saúde, e que
isso só vai acontecer se realmente quisermos. E por
que? Porque nosso mundo de hoje, deliciosamente
confortável, com seus elevadores, controles remotos e
todo tipo de tela pra resolver todo tipo de necessidade,
está nos levando para um lugar caótico, e bagunçando
todo nosso sistema operacional.
Vamos começar pelo alicerce da nossa qualidade de
vida, o sono. Aquele 'detalhe' que faz toda a diferença
nos mais variados âmbitos da nossa saúde, que é
capaz de evitar ou provocar efeitos danosos, que vão
desde doenças crônicas, como diabetes e hipertensão,
até obesidade, envelhecimento precoce, falta de foco,
dificuldade de cognição, e um baita mau humor. Dormir
bem é maravilhoso, mas nem sempre conseguimos ter
o sono que merecemos. Isso porque o sono de
qualidade está associado a alguns acontecimentos,
como por exemplo nosso ciclo circadiano. Quando a luz
natural cai, o sol se põe, nosso corpo reage da mesma
forma, reduzindo a 'pressão', diminuindo a bateria. À
luminosidade está diretamente ligada à secreção da
melatonina, hormônio responsável pela indução ao
sono. Já durante o dia, acontece exatamente o
contrário: a exposição à luz inibe a produção da
melatonina ao passo que o estimula a produção de
cortisol, responsável por deixar o corpo mais alerta e
aumentar a vigília.
Agora, imaginem que no momento do dia que nosso
corpo deveria desacelerar, no escuro, passamos a
receber estímulos de luzes, de telas, de todo lado, que
ao invés de nos induzir ao relaxamento, nos induz ao
estado de alerta.
Junto às telas, vem a enxurrada de informações, de
trocas em redes sociais, de cobranças, de
comparações, de ilusões de um mundo virtual que mexe
profundamente com aceitação e autoestima de milhares
de pessoas, sobretudos adolescentes e crianças. E
temos quadros de depressão e ansiedade crescendo,
enquanto as vidas reais passam a importar menos.
Todo esse acesso, toda essa tecnologia, são
maravilhosos, mas também podem ser fatais.
Vamos agora falar sobre todo esse conforto nos
impedindo de sair do sofá, dificultando a movimentação
natural do nosso corpo, como andar, subir escadas,
ficar de pé. A porta para o sedentarismo está aberta, é
só entrar e sentar. A quarta maior causa de morte no
mundo, só depende da nossa vontade consciente de
levantar e se mexer. Um corpo que não recebe estímulo
de movimento físico - e eu nem estou nem falando de
malhar, correr, ir à academia, mas apenas de se mexer
- é um corpo potencialmente doente. Isso significa dizer
que todos os problemas de saúde crônicos, não
transmissíveis e evitáveis, podem ser minimizados com
um certo nível diário de movimento que, há não muito
tempo, lá pelos anos 1970, nós fazíamos sem perceber.
Seria caminhar uns 7 quilômetros ou dar cerca de dez
mil passos ao longo de um dia. Ficar um pouco mais em
pé do que sentado, trocar elevadores e escadas
rolantes por escadas convencionais. Ou seja, nada
muito elaborado. Mas, imprescindível para ter saúde.