A Santa Aliança

(Carla ScalaEjcveS) #1

monte de cascalho lá, e a verdade é que deveríamos poder transitar sem obstáculos.



  • OK – disse Eva. – Vou me lembrar.
    O homem assentiu com a cabeça e sorriu. Depois se dirigiu para a porta, onde a
    mulher o esperava.
    “Merda!”, pensou Eva, e teve uma vontade terrível de voltar para casa, abrir uma
    garrafa de vinho, esquecer que já tinha tido a oportunidade de ficar impopular no
    bairro. Aquele ridículo montinho de cascalho! Pouco mais que um carrinho. Seria
    mesmo um problema tão grande? Fabian Brix. O nome aparecia num campo de
    comentários, debaixo de uma atualização, do ano anterior, sobre uma festa de ex-
    alunos. Brix. Só podia ser irmão de Helena, talvez aquele que tinha morrido. Eva
    examinou a foto. O retrato de perfil do Facebook, com óculos de esquiar, tirado
    durante férias. O sol brilhava nas montanhas nevadas. A julgar pela foto, a idade
    coincidia mais ou menos com a da irmã, pensou Eva. Não. Só podia ser mais velho
    que ela, uns cinco ou seis anos. Pareciam-se? Possivelmente. Fabian tinha cabelo um
    tanto mais escuro, mas talvez Helena tingisse o seu. O nariz dele era mais largo, e o
    queixo, mais afilado – não, não se pareciam. Além disso, Fabian não era muito
    bonito. Mas os olhos... Havia alguma coisa naqueles olhos. Voltou ao perfil de
    Helena no Facebook e comparou as duas imagens. Sim, Eva tinha quase certeza.
    Tinham a mesma expressão de confiança. Podiam perfeitamente ser irmãos.
    “Fabian Brix”, procurou no Google, que retornou uma série de resultados.
    Encontrou algo já numa das primeiras páginas: uma foto de Fabian Brix com a
    irmã, Helena. A imagem era de uns anos antes e se referia a algum projeto de
    comércio ético na Namíbia. Pelo visto, Fabian era diretor na Agência
    Dinamarquesa de Desenvolvimento Internacional, a Danida. Estava junto a um
    africano de sorriso largo que lhe passava o braço pelos ombros. Eva entrou no site
    do guia Krak e achou Fabian Brix. Morava na Grande Copenhague, no distrito de
    Snekkersten, em Helsingor, e dele só constava um número de celular. Ligou para lá.
    A julgar pelo tom da chamada, parecia que Eva estava ligando para o exterior.

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