Dossiê Superinteressante - Edição 406-A (2019-08)

(Antfer) #1
10 — exércitos do mundo

n


nove minutos. Foi o tempo que
Osama bin Laden teve para pensar na
vida, ente os helicópteros Blackhawk
pousarem ao lado de sua fortaleza par-
tcular em Abbottad, Paquistão, e ser
executado sem cerimônia. Menos de 10
horas depois, seu corpo encontaria o
fundo do Oceano Índico, amarrado a
140 kg de correntes.
A mais espetacular ação de forças
especiais neste século foi conduzida
pelos Seals da Marinha, com helicóp-
teros emprestados do Exército, a partr
de uma base da Força Aérea, com su-
porte de uma unidade de inteligência
dos fuzileiros navais. É um exemplo da
capacidade de entosamento da mais
potente força militar do planeta, apoiada
pela maior economia.
Dinheiro fala e metalhadoras gri-
tam. Os US$ 716 bilhões investdos pe-
los americanos em 2018 representam
mais de 30% de todo o gasto militar
na Terra, são mais que o dobro que os
US$ 224 bi da China, e mais que 15
vezes os US$ 44 bi da Rússia. E essa
dinheirama é ainda assim apenas um
dos elementos de seu real poder. Os
Estados Unidos também são o número
1 em ciência e tecnologia, e, estando na
América, possuem isolamento geográ-
fico dos centos de conflito. Também
têm a maior população de qualquer
país ocidental. Por fim, ainda que sua
reputação esteja caindo – segundo o
Pew Research Center, 25% do mundo

considerava os EUA uma “grande ame-
aça” a seu país em 2013, versus 45%
em 2018 –, 51% das pessoas do planeta
têm uma visão positva dos EUA. O soft
power é inescapável. A familiaridade
criada pela gigantesca indústia cultral
americana ajuda a obter a colaboração
de muitos países.
Enfim, tdo conspira em favor dos
EUA. Mas o fato é que nem sempre o
cavalo favorito leva.

Team America
Não é exagero dizer que os Estados
Unidos se acham a polícia do mundo.
Desde 2000, a doutina estatégica do
país fala em full spectum dominance –
“dominância em especto pleno”. Que
basicamente quer dizer ser enorme-
mente superior em tdo: em forças de
terra, ar, mar, em domínio psicológico,
em guerra biológica e cibernétca, e até
no espaço sideral, com Trump tendo
proposto a “Força Espacial” – um nome
que parece saído de desenhos animados
dos anos 1980, mas que pode acabar se
tornando realidade.
Soa como um plano de dominação
mundial? O falecido dramatrgo bri-
tânico Harold Pinter foi um dos que
entenderam exatamente isso. Em seu
discurso de aceitação do Nobel de li-
teratra, em 2005, ele mencionou ex-
plicitamente a dominância em especto
pleno, dizendo que “os Estados Unidos
agora são totalmente francos em colocar
suas cartas sobre a mesa”.
Outo conceito fundamental da dou-
tina militar americana, mantdo desde
os anos 1980, é o win-hold-win (“vença-
-aguente-vença”, a capacidade de lutar
duas guerras simultâneas, vencer uma
primeiro, e depois dedicar-se à segunda.
Essa postra imperial é um pouco
irônica de um país que, em sua funda-
ção, sequer acreditava na necessidade
de uma força militar. A famosa – ou
famigerada, dependendo de que lado
você está no debate sobre as armas – Se-
gunda Emenda da Consttição afirma:
“uma milícia bem regulada sendo ne-
cessária para a segurança de um Estado

Lockheed
Martin F-35 a
Caça multifunção

veLocidade Máx. (Mach 1,6)

1.976 k


coMpriMento: 15,39 m
envergadura: 11 m
aLtura: 4,331 m
peSo vazio: 13.151 kg
peSo MáxiMo: 31.751 kg
arMaMento:
canhão giratório GAU-
22A 25 mm, mísseis,
bombas convencionais
ou atômica B

Exércitos do mundo Estados unidos


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