Melhor - Gestão de Pessoas - Edição 380 (2019-08)

(Antfer) #1

Qual é a empresa ideal ou mais sedutora?


mos tanto em ter uma marca empregadora genuína: seus
colaboradores são a voz da empresa e são a maior pro-
paganda que pode existir. Se ele gosta da empresa e tem
uma boa experiência, igual à que é ofertada como marca,
ele naturalmente irá comentar com amigos, familiares,
profissionais e postar nas redes sociais.


Segundo o estudo, 76% dos empregados


que vivenciam um forte alinhamento


entre o que a empresa diz sobre si


e a experiência deles nela tendem a


recomendá-la mais como um bom lugar


para trabalhar. Quando a empresa


elabora seu EVP (Employee Value


Proposition, ou proposta de valor


para o empregado), ela consegue


separar o que é real do que é


idealizado? Esse seria um ponto que


possa causar o desalinhamento entre o


que se diz que é e o que é vivido?
Sim, sem dúvida é um desalinhamento. Quando se co-
munica algo que não é refletido na realidade da empresa,
o EVP fica vulnerável. No momento de elaborar o EVP, o
primeiro passo deve ser, obrigatoriamente, auditar a mar-


ca empregadora, para que se possa entender a narrativa
construída até o momento e a percepção externa. O passo
seguinte é entrevistar empregados e líderes, compreen-
dendo a percepção deles sobre a marca e as lacunas que
deverão ser preenchidas. O terceiro passo deve ser avaliar
os concorrentes para mão de obra. Por último, é preciso
analisar o mercado externo, buscando por motivações e
indicadores profissionais e visões específicas da melhoria
da sua empresa. Uma empresa só deve pensar em estru-
turar sua marca empregadora e seus EVPs após coletar
todas essas informações, pois são elas que possibilitarão
definir o grau de maturidade e qual é o caminho a ser
percorrido. Não há nada de errado em não estar no ponto
que a marca idealiza para si, mas é essencial ter uma visão
clara de seus atributos atuais e como fazer a transição de
maneira coerente. Poucas coisas podem ser tão nocivas
para uma marca empregadora quanto tentar transmitir
um valor que não é genuíno.

No que os potenciais empregados
mais prestam atenção em uma empresa
antes de decidirem em aceitar ou não
um convite para trabalhar nela? Há
diferenças entre o que é verificado
aqui e fora do Brasil?

á algum perfil de empresa que mais atraia a atenção dos talentos? Seriam as startups? Há alguns anos,
diz Fabio Battaglia, havia, sim, o grande sonho das pessoas em ingressar nas famosas startups. Porém,
a pesquisa mostra que apenas 6% dos profissionais nacionais preferem trabalhar nesses novos negócios
atualmente. “Analisando os movimentos de mercado, a queda no interesse por essas empresas está bastante re-
lacionada com a crise econômica. Quando o país estava com ótimos níveis de emprego, havia espaço e vontade
para se tomar risco profissional, pois não se sentia grande dificuldade de recolocação”, diz Battaglia. Após a re-
tração econômica e os níveis maiores de desemprego, continua o executivo da Randstad, os profissionais ficaram
mais conservadores e cuidadosos, sem apetite para o risco inerente ao negócio das startups. “A tendência é que,
à medida que a economia retomar crescimento e a confiança no mercado de trabalho voltar, as startups vol-
tem a ser almejadas por todos. Em contrapartida, por consequência desse mesmo cenário, quase metade (45%)
declara preferência por trabalhar em multinacionais”, acrescenta. “Quando questionados sobre os motivos da
preferência pelas multinacionais, os entrevistados apontaram saúde financeira, progressão de carreira e salários
e benefícios atraentes como principais atributos das grandes empresas.”

H


ENTREVISTA
Free download pdf