Aventuras na História #235B - 02Dez22_compressed

(lenilson) #1
das de ferro, entre outras”, completa o autor,
lembrando que o crescimento se dava à custa
dos trabalhadores. Grande parte dos operários
era paga de acordo com a produção e obrigados
a atingirem metas de produção estabelecidas de
forma arbitrária e, na maior parte das vezes,
muito altas.
O custo político e social também foi bastan-
te elevado: o período stalinista é considerado o
mais autoritário, repressor e violento da história
soviética. Trabalhadores rurais e urbanos que
não cumprissem as condições do contrato de
trabalho eram passíveis de dois a quatro meses
de prisão. E a paralisação do trabalho poderia
resultar em prisões superiores a um ano, com
confisco de bens. Por fim, de acordo com a
gravidade da falta cometida, como promoção
de insurreição operária e greves, a sentença
poderia ser o fuzilamento.
No campo intelectual, o controle sobre o
ensino das Ciências Humanas e da História
seria particularmente severo. “O partido con-
sidera-se a própria encarnação do movimento
histórico e o intérprete privilegiado do presen-
te e o do futuro”, diz Aarão Reis Filho. Inúme-
ros intelectuais morreram nos campos e prisões
soviéticas, livros de “dissidentes” foram banidos
e retirados das bibliotecas e a imprensa era to-
talmente controlada pelo estado.
Dados apontam que entre 7 e 12 milhões de
pessoas tidas como “inimigas do povo”, apenas
por discordarem do regime político ou de seus
métodos, foram enviadas a campos de trabalhos
forçados durante o stalinismo. Os prisioneiros
foram importantes para a execução dos planos
quinquenais e o sucesso econômico soviético.
Eles eram obrigados a trabalhar em condições
degradantes na construção de ferrovias, canais,
fábricas e barragens. Apenas os campos de Ko-
lima, ao nordeste da Sibéria, receberam cerca
de 3 milhões de prisioneiros para trabalharem
na extração de ouro, estimada em 300 tonela-
das/ano, e de madeira para exportação.

O PESADELO DE HITLER
A participação da URSS na Segunda Guerra
Mundial foi fundamental para os países aliados

derrotarem o nazismo. Em julho de 1941, o país
foi invadido pelas tropas alemãs de Adolf Hitler
e sofreu inúmeras derrotas nos primeiros meses.
Stalin, que havia deixado a nação desprotegida
no começo da guerra, reverteu a situação apenas
após a sangrenta Batalha de Stalingrado, em
1942, que resultou na morte de milhões de pes-
soas e soldados dos dois lados, mas marcou a
contraofensiva do Exército Vermelho e definiu
os rumos do conf lito em favor dos aliados.
Após a guerra e nos anos seguintes, a URSS
emerge como superpotência militar mundial.
O conf lito bélico daria início, nos anos seguin-
tes, à Guerra Fria, em que URSS e EUA dispu-
taram a hegemonia militar e geopolítica do
planeta, estendendo suas inf luências aos países
alinhados. De um lado, os EUA com a defesa
dos ideais de liberdade política e econômica.
Do outro, a URSS em defesa do socialismo e a
economia planificada. O símbolo dessa divisão
era a cidade de Berlim, na Alemanha, dividida
por um muro em duas partes – ocidental, capi-
talista sob inf luência dos EUA; e oriental, so-
cialista, sob controle da URSS. “A URSS foi
importante ao assumir o papel de oferecer uma
alternativa ao modelo capitalista, por meio do
socialismo”, explica Vanessa Braga Matijascic,
professora de Relações Internacionais da Fun-
dação Armando Álvares Penteado (FAAP). A
opinião é compartilhada pelo professor Márcio
Coimbra, coordenador da pós-graduação em
Relações Institucionais e Governamentais da
Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília: “A
inf luência do socialismo soviético em várias
nações, desde Cuba passando pela Albânia,
Polônia e outros países, acabou mudando o
mapa geopolítico do mundo inteiro”.
A queda de braço entre soviéticos e norte-
-americanos durante a Guerra Fria provocou
suspense no planeta em diversos momentos. O
mais grave deles ocorreu durante a crise dos
mísseis de Cuba, em 1962, episódio em que o
mundo ficou mais próximo de um conf lito nu-
clear total entre as duas superpotências milita-
res. A desistência da União Soviética em im-
plantar uma base de mísseis em Cuba foi crucial
para a resolução do mais grave incidente

CAPA


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