MARIA DE FÁTIMA AREDE
Jardim do coração
Sonhava o meu coração, triste de tanto sonhar
O amor-perfeito, sem saber o que era amar...
Cabisbaixo e taciturno, pelo mundo, perdido
Sem norte, despido de amor... pobre vagabundo!
Vagando sem direção, nas terras do Oriente;
Meus olhos vislumbraram jardins que beijavam o
céu,
Seguiram o brilho das estrelas, esbarraram nos
teus
Esses olhos de âmbar, que roubaram o mel do
poente!
Amei-te desde sempre, foste o meu sonho eleito
Quimeras, fantasias... no aconchego do teu peito
Bebo a seiva divina dos teus lábios em gotas de
mel
O lume rubro dos teus olhos me toma e leva ao céu
Por amar-te tanto, o meu coração não cabe em
mim
Transborda de amor e flores, e nele, faz-se um
jardim
Nas noites em que as janelas enchem-se de lua
O universo conspira, sei que sou eternamente tua!