CVM confirma processo para investigar suposto 'insider trading da
PetrobrásBanco Central do BrasilO Estado de S. Paulo/Nacional - Negócios
sábado, 6 de março de 2021
Banco Central - Perfil 1 - Bolsa de ValoresClique aqui para abrir a imagemAutor: Mariana Durão
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) confirmou
ontem que abriu um processo administrativo para
investigar o suposto uso de informação privilegiada
(insider trading, no jargão do mercado) na negociação
de papéis da Petrobrás. A suspeita de que alguém
possa ter lucrado R$ 18 milhões com o vazamento de
informações sobre o que ocorreria na estatal veio à tona
no início da semana e mexeu com os ânimos do
mercado.
A apuração do caso será conduzida pela
Superintendência de Relações com o Mercado e
Intermediários (SMI) do órgão regulador do mercado de
capitais. A autarquia não dá detalhes da investigação e
reafirma que não comenta casos específicos.
Tudo indica que o foco da análise da área técnica será a
transação com opções de venda de ações da estatal no
fim da tarde da quinta-feira, 18 de fevereiro, logo após a
reunião entre o presidente da República Jair Bolsonaro
e um time de seis ministros no Palácio do Planalto para
tratar de preços dos combustíveis. O encontro ocorreu
às 16h45, antes da live em que o presidente disse que
"alguma coisa" aconteceria na petrolífera nos próximos
dias.Duas ordens de compra foram executadas logo em
seguida: uma de 2,6 milhões de opções, às 17h35, e
outra às 17h44, de 1,4 milhão de papéis, ambas com
preço de R$ 0,04. A movimentação revelada pelo jornal
O Globo e confirmada pelo Estadão/Broadcast a partir
de dados da B3, a Bolsa de Valores de São Paulo,
indica que um investidor ganhou R$ 18 milhões com as
opções, negociadas em volume que só faria sentido se
ele realmente acreditasse que as ações iriam cair ao
menos 8% no pregão seguinte.Opção.Na operação de opção, o investidor adquire o direito de
comprar ou vender um ativo em uma data futura, a um
preço fixo, para se proteger do movimento contrário do
papel ou especular. Crime no Brasil desde 2001, o
insider trading é o uso de uma informação relevante
ainda desconhecida do mercado na negociação de
papéis, com o objetivo de obter lucro ou evitar uma
perda.A investigação de outras operações pela autarquia não
está descartada. Para supervisionar casos de insider, a
CVM conta com a ajuda da BSM, braço de supervisão
da B3 que monitora e coleta informações relativas a
transações suspeitas com as corretoras. Juntas, elas
seguem o fluxo da informação no mercado e das
operações realizadas. Também são utilizados
programas de computadores especializados em
identificar transações atípicas no mercado.Com a confirmação da abertura do procedimento, já há
oficialmente quatro processos administrativos abertos
pela CVM desde 20 de fevereiro, dia seguinte ao