Se o lockdown não resolve, sobram só vagas em cemitério
Banco Central do BrasilO Estado de S. Paulo/Nacional - Metrópole
sábado, 6 de março de 2021
Cenário Político-Econômico - ColunistasClique aqui para abrir a imagemAutor: ANALISE: Gonzalo Vecina
Não há como construir leitos de UTI na velocidade em
que as pessoas estão morrendo neste momento. Muitos
leitos foram desativados e a reativação significa
reagrupar equipamentos que foram distribuídos, chamar
profissionais não presentes agora. Até pode ser feito
aumento de capacidade de leitos em alguns hospitais,
mas uma resposta eficaz com essas ações é impossível
no prazo de que dispomos.
Infelizmente, vejo que vamos ter aumento da
mortalidade nas portas dos hospitais, em ambulâncias,
esperando a abertura de um leito de UTI e isso é
responsabilidade do governo federal, que diminuiu o
número de leitos que estavam sendo financiados. O
governo federal também sabia que havia condições de
existir esse impacto que estamos vendo. A vigilância
sanitária e a vigilância epidemiológica do Ministério da
Saúde deveriam ter dado esse alerta. Dados não faltam
para isso.
É culpa do ministério estarmos despreparados para
enfrentar este momento. O único instrumento que temos
hoje não é aumentar a oferta de leitos, é tentar, em
alguns dias, diminuir a demanda, fazendo lockdown. Se
for feito lockdown sério, vamos conseguir diminuir o
número de novos casos daqui a dez dias. Agora, os
casos que chegam hoje na rede hospitalar são de dez
dias atrás. Esses vão continuar chegando, porque não
tomamos nenhuma providência.O presidente, em várias ocasiões, teve a oportunidade
de se manifestar, dizendo que "lockdown não resolve".
Se lockdown não resolve e não há leitos de UTI, só
sobram vagas no cemitério.É MÉDICO SANITARISTA E COLUNISTA DO
'ESTADÃOAssuntos e Palavras-Chave: Cenário Político-
Econômico - Colunistas