Com casos em alta, Bolsonaro se reúne com CEO da Pfizer
Banco Central do BrasilFolha de S. Paulo/Nacional - Saúde
terça-feira, 9 de março de 2021
Banco Central - Perfil 1 - Paulo GuedesClique aqui para abrir a imagemAutor: Gustavo Uribe e Daniel Carvalho
Brasília - Com o aumento do número de mortes pelo
coronavírus no país, o presidente Jair Bolsonaro se
reuniuna manhã desta segunda-feira (8) com o CEO
mundial da Pfizer, Albert Bourla. Após o encontro, o
ministro Paulo Guedes (Economia) anunciou tuna
antecipação de 5 milhões de doses da farmacêutica
para o primeiro semestre deste ano.
Pela última previsão do governo, o Brasil receberia 2
milhões de doses em maio e outros 7 em junho,
totalizando 9 milhões até o fim do semestre e cerca de
100 mi até o fim do ano. Agora, disse Guedes, 5
milhões das doses previstas para o segundo semestre
seriam distribuídas entre maio e junho, o que elevaria
para 14 milhões o número de vacinas disponíveis até o
meio do ano.
"A grande guerra, como a economia e a saúde andam
juntas, é antecipar a vacinação em massa.
Conseguimos praticamente uma declaração de que o
acordo está fechado", disse Guedes após a reunião.
Além disso, o governo espera que parte dos 61 milhões
de doses previstos para o terceiro trimestre (outubro,
novembro e dezembro) seja antecipada para o segundo
trimestre (julho, agosto e setembro)."A grande maioria das vacinas da Pfizer estava em
outubro, novembro e dezembro. O presidente fará
esforço para que seja antecipado do último trimestre
para o terceiro trimestre", disse Airton Antônio Soligo,
assessor especial do Ministério da Saúde, que
representou a pasta na reunião, já que o general
Eduardo Pazuello cumpre agenda no Rio.O encontro, por videoconferência, foi para discutir
detalhes de acordo inicial fechado na semana passada
pelo governo para adquirir a compra de doses da vacina
da empresa. A previsão é que o contrato seja assinado
nesta semana.A reunião, que não estava na agenda do presidente, faz
parte de estratégia esboçada pelo Palácio do Planalto
para tentar reduzir o desgaste criado por Bolsonaro.
Desde 2020, o presidente tem minimizado a pandemia e
j á questionou a efetividade da vacina Coronavac,
desenvolvida no Brasil pelo Instituto Butantan.Como a Folha mostrou no domingo (7), o governo
rejeitou no ano passado proposta da a Pfizer que previa
70 milhões de doses de vacinas até dezembro deste
ano. Do total, 3 milhões estavam previstos até fevereiro,
o equivalente a cerca de 20% das doses já distribuídas
no país até agora A reunião teve como motivação,
segundo aliados do presidente, diminuir a repercussão
negativa dessa rejeição.Nesta segunda, Guedes disse que "os dois lados
[governo e Pfizer] demoraram um pouco na
negociação", mas que é preciso "olhar para a frente" e
"acabar com a narrativa de guerra, de destruição".No domingo, o Brasil teve 1.054 mortes pela Covid e
manteve, pelo nono dia seguido, recorde de média
móvel de óbitos, com 1.49 7. 0 recorde era de 1.455.