Presidente do BC age junto a Lira contra posição de Bolsonaro
Banco Central do BrasilO Estado de S. Paulo/Nacional - Economia
quarta-feira, 10 de março de 2021
Banco Central - Perfil 1 - Banco CentralClique aqui para abrir a imagemBRASÍLIA
O anúncio feito no início da tarde de ontem pelo relator
da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do auxílio
emergencial, deputado Daniel Freitas (PSL-SC), de que
manteria o texto aprovado pelo Senado, foi o primeiro
resultado prático da intensa negociação nas últimas 24
horas para evitar uma desidratação maior das medidas
de controle de despesas, os chamados "gatilhos",
previstas no texto.
E quem atuou como porta-voz da equipe econômica foi
o presidente do Banco Central, Roberto Campos
Neto, escalado para tentar reverter o risco de mudanças
na PEC - que deve ser votada hoje na Câmara. Campos
se reuniu com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-
AL), e com líderes da base aliada do governo na
residência oficial da presidência da Câmara, no Lago
Sul, bairro nobre da capital federal.
Preocupado com a piora do humor no mercado
financeiro, Campos Neto alertou para os riscos de mais
perdas nas contrapartidas fiscais da PEC, consideradas
essenciais pela equipe econômica para mostrar uma
sinalização de compromisso do País com o equilíbrio
das contas públicas e evitar a disparada da inflação e
dos juros. O horário do encontro foi logo cedo, após a
abertura do mercado, quando o dólar à vista batia em
R$ 5,8593 - uma alta de 1,40%.Depois da reunião, se seguiram as falas de Freitas e do
próprio Lira em defesa da previsibilidade das ações e
confirmando que o relator havia concordado com a
posição dos líderes de não desidratar o texto. O
encontro entre Campos Neto e Lira só entrou na agenda
do presidente do BC depois.Até a noite de segunda-feira, o placar da PEC parecia
ser favorável ao movimento liderado pelo deputado
Major Vitor Hugo (PSL-GO), que desde o final de
semana trabalhou intensamente para blindar as forças
policiais da União e dos Estados do alcance dos
gatilhos. Uma vez acionados, eles impedem aumento de
gastos de pessoal e colocam em prática o
congelamento de promoções, reajustes e novas
contratações.Foi o próprio presidente Jair Bolsonaro que deu sinal
verde para que a concessão fosse feita na Câmara, um
aceno à sua principal base de apoio eleitoral. Vitor Hugo
praticamente acampou no Palácio Planalto ao lado de
parlamentares da bancada da bala e representantes
sindicais das diversas categorias de policiais, na
tentativa de executar o que vem sendo chamado de
"quinto capítulo" da estratégia de manter as forças de
segurança a salvo de medidas duras do ajuste fiscal. A
estratégia bem-sucedida em angariar o apoio do
presidente começou na reforma da Previdência e
continuou na reforma administrativa e terminou na
votação da lei 173, de socorro a Estados e municípios,
que teve como contrapartida o congelamento do salário
dos servidores.Reação. Lideranças governistas ficaram irritadas com o
movimento do ex-líder do governo e da sua tropa de
parlamentares, passando por cima do acordo fechado
com o Senado para que a proposta fosse aprovada com