Guedes nega atraso e diz que valor de R$ 600 é insustentável
Banco Central do BrasilO Globo/Nacional - Economia
sábado, 13 de março de 2021
Banco Central - Perfil 1 - Banco CentralClique aqui para abrir a imagemAutor: MANOEL VENTURA E FERNANDA TRISOTTO
Ao comentar a aprovação da proposta de Emenda à
Constituição (PEC) que permite a volta do auxílio
emergencial, o ministro da Economia, Paulo Guedes,
disse que a equipe econômica não atrasou o benefício e
quem deu o "timing" foi a política. Ele comentou ainda
que um benefício de R$ 600, como foi no ano passado,
não é sustentável.
Não acreditem na narrativa de que a Economia está
contra o auxílio emergencial, que a Economia atrasou o
auxílio emergencial. Isso é uma falsa narrativa. Isso é
narrativa política. O auxílio emergencial não saiu antes
porque a política é quem tem o relógio. Quem manda e
quem dá o timing é apolítica. E só apolítica podería nos
autorizar - disse Guedes, ao site Jota.
Em nota, o Ministério da Economia afirmou que a
aprovação da PEC é a mais importante reforma fiscal
dos últimos 22 anos.
O ministro defendeu o limite de R$ 44 bilhões,
estipulado pela PEC, para o auxílio neste ano. Em 2020,
foram cerca de R$ 300 bilhões.Você não pode chegar e dar um cheque em branco.
Não pode falar "o dinheiro vai ser o que for preciso,
toma aqui R$ 1 trilhão". Se nós fizermos isso, a inflação,
que está subindo rapidamente, que até julho vai passar
de 6%, que por enquanto é setorial, mas está
começando a ficar generalizada, ela vai embora, vai
para 7%, 8%. E o juro tem que subir para 9%, 10%. Aí o
Brasil começa a entrar em colapso de novo por falta de
compromisso com o protocolo fiscal - disse o ministro.Guedes defendeu que o limite protege a população
vulnerável, ao segurar a inflação: - Se a inflação for
embora, quem vai pagar mais são os mais frágeis.Em 2020, o governo pagou cinco parcelas de R$ 600 e
quatro parcelas de R$ 300 a 68 milhões de pessoas no
total. Neste ano, serão R$ 250 em média por quatro
meses para 46 milhões de famílias.Não pode continuar com aqueles R$ 600 porque aquilo
não é sustentável. Se falar "vou dar R$ 600 para todo
mundo por dois anos", a inflação vai para 5%, 6%, 7% e
acabou - disse Guedes, reforçando que o governo
pretende propor um novo programa neste ano.A inflação acumulada nos 12 meses até fevereiro está
em 5,2%, se aproximando do teto da meta estabelecida
pelo Banco Central, de 5,25%. Na opinião de Guedes,
o resultado demonstra uma alta "transitória e setorial"
de preços: - Esse aumento de preços de alimentos,
material de construção, é fruto, de um lado, da subida
do dólar e da alta das commodities. E, de outro lado, do
auxílio emergencial, que foi potente e encheu os
supermercados.Guedes também fez um aceno aos servidores após a
desidratação da PEC, que permite promoções ao
funcionalismo: - Muita gente fala que tem que cortar o
salário deles. Não tem que cortar. Eles já deram a
contribuição deles.