REVISTA DRAGÕES ABRIL 2021
LIVRE E DIRETO
Rápido e eficaz. Não, neste caso não é ao
jogo de Sérgio Oliveira nos momentos
defensivos nem às leituras de jogo para
o contra-ataque a que nos referimos,
mas às respostas. Dos companheiros a
Andrea Pirlo, a referência a que ainda
não dirigiu a palavra, o centrocampista
respondeu simples e de forma
assertiva a sete questões rápidas.Companheiro de equipa mais engraçado
Corona, porque é muito chato.Companheiro mais sério
Pepe, por incutir muita responsabilidade.Melhor golo que marcou
O golo em Turim, porque garantiu a nossa
passagem aos quartos de final contra
uma superequipa, candidata a ganhar a
Champions, e ainda para mais jogando
com dez durante uma hora. Foi épico!Ídolo
Pirlo, porque foi sempre um jogador
que admirei muito desde miúdo.O que diria ao jovem Sérgio
Oliveira quando chegou pela
primeira vez ao FC Porto?
Abre os olhos [risos].Algum arrependimento?
Nenhum.Sonho que falta realizar
Conquistar um título pela seleção
nacional. Era o máximo para mim.espírito de equipa e de entreajuda
foi fundamental. Conseguimos
manter a organização e o
discernimento suficiente para
colocar em campo o que nos foi
passado pelo mister. Temos um
grupo que não se rende perante as
adversidades e que transformou
as fraquezas em forças.
E chegou o momento. Minuto
115, livre direto. Conte-
nos esse momento.
Foi único, histórico, que me enche
de orgulho e que irá permanecer
comigo para sempre. Quando
vi que a bola tinha entrado foi
um sentimento que ainda hoje
tenho dificuldade em traduzir
por palavras, de uma satisfação
única, uma vontade imensa de
abraçar cada portista que naquele
momento sentia o mesmo que eu.
Tinha pensado no festejo?
Foi igual ao do Costinha.
Não tinha programado o festejo.
O momento do festejo igual ao
Costinha, de quem sou amigo,
foi algo inconsciente, que fiz
sem pensar. Foi espontâneo...
Viveu o golo do Costinha já
como um jovem adepto. Agora,
bem mais experiente, é o
Sérgio que proporciona um
momento desses a toda a nação
portista. Como explica isso?
Como um grande motivo
de orgulho para um portista,
que como todos da minha
geração cresceram a assistir às
conquistas do FC Porto. Como
referi na altura e volto a afirmar,
foi e é um golo dedicado à
nação portista e a todos os que
gostam de nós e nos apoiam.Segue-se o Chelsea. Como
perspetiva a eliminatória?
Será certamente uma
eliminatória difícil, frente a
um adversário que tem vindo
a evoluir bastante em termos
coletivos. Partimos com o mesmo
sentimento e com a mesma
vontade de sempre: vencer.Ӄ o melhor marcador da
equipa na Liga dos Campeões
e, curiosamente, o médio mais
concretizador de toda a prova.
Como reage a estes números?
Aproveitei as grandes penalidades,
foi um fator essencial, mas o que
me dá mais alegria é o facto de
termos passado a fase de grupos e
de termos ultrapassado a Juventus.
São estatísticas individuais,
que só terão expressão e
verdadeiro significado se
forem acompanhadas pelo
sucesso do FC Porto. A nossa
responsabilidade é para nós
mesmos, porque queremos
muito avançar. Sabemos
que é difícil e temos os pés
bem assentes no chão.Qual é o limite do FC Porto?
O FC Porto não tem limite. Vamos
até onde não podermos mais.
Temos de lutar e querer muito
ganhar títulos. Essa crença e
esse positivismo fazem-nos
alcançar coisas bonitas.REVISTA DRAGÕES ABRIL 2021“Quando vi que a bola tinha entrado
foi um sentimento que ainda hoje
tenho dificuldade em traduzir
por palavras, de uma satisfação
única, uma vontade imensa de
abraçar cada portista que naquele
momento sentia o mesmo que eu.”