(Antfer) #1

para crimes muito graves como o assassinato,
e é decidida por cada governo.
O professor Luciano lembra que a Bíblia
não dá uma resposta definitiva sobre a pena
de morte, mas aquele que atentasse contra
a vida e a integridade de outra pessoa ou
servisse a outros deuses merecia pena de
morte. Isto devia servir como exemplo
para os outros, para manter a pureza do
povo. Já no Novo Testamento, quem
decidia se a pena de morte seria
aplicada ou não era o governo
romano.  “A lei dos judeus não
era considerada pela legislação
romana. O governador Pilatos
admitiu que Jesus não tinha feito
nada que merecia morte, mas man-
dou executá-lo”, comenta Santos.
Isso provavelmente indica que os
romanos tinham orientações sobre
a aplicação da pena de morte, porém
não eram regras definitivas. Se uma
pessoa fosse um cidadão romano, podia
apelar em última instância a César, que
decidiria se devia morrer ou não.


TrÁfiCO de PeSSOAS
Na Bíblia, um dos assuntos que mais
repercute é a escravidão. Deus aceitaria
escravizar outras pessoas e utilizá-las
como moeda de troca? Alguns tre-


chos, sobretudo no livro de Êxodo, sugerem
que Deus não criticava esse costume, mas
o professor Luciano ressalta que, no con-
texto histórico, social e político no qual o
povo da Bíblia surgiu, a compra e a venda
de pessoas, para fins escravagistas, era um
fenômeno arraigado à estrutura social e
econômica do Antigo Oriente e do mundo
greco-romano. “Por exemplo, o guerreiro
vencido se tornava propriedade do
vencedor que podia matá-lo, escra-
vizá-lo ou vendê-lo. A escravidão
como sistema em que o escravo

“É lógico que, vivendo
numa sociedade
após dois milênios
da práxis de Jesus,
sabemos que existem
as penas para nossos
crimes. A pena de
morte não é o caminho
que aponta Jesus, mas
o amor, a misericórdia”

está na Bíblia!
“Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não
terá por inocente o que tomar o seu nome em vão” (Êxodo 20:7)

“Quem ferir alguém, de modo que este morra, certamente será morto” (Êxodo 21:12)

“Perguntou Pilatos: ‘Que farei então com Jesus, chamado Cristo?’ Todos responderam: “Crucifica-o!” ‘Por quê? Que
crime ele cometeu?’ perguntou Pilatos. Mas eles gritavam ainda mais: ‘Crucifica-o!’ Quando Pilatos percebeu que não
estava obtendo nenhum resultado, mas, pelo contrário, estava se iniciando um tumulto, mandou trazer água, lavou as mãos
diante da multidão e disse: ‘Estou inocente do sangue deste homem; a responsabilidade é de vocês’” (Mateus 27:22-24)

luciano gomes dos Santos,
professor de cultura religiosa