O Último Ano em Luanda

(Carla ScalaEjcveS) #1

Regina não tinha orgulho em usar o filho nestes jogos psicológicos, mas
dizia a si mesma que era para o bem dele. Já quando a conversa não incluía
André, as mais das vezes Nuno reagia com a desfaçatez velhaca de rafeiro
manhoso, brincava com o assunto, dava-lhe a entender que só estava a perder
tempo com um assunto arrumado. E Regina, desconcertada, pensava que ele
era um filho da mãe sem remédio e ela tinha o que merecia por não ser capaz
de o deixar. Mas acabava sempre por se convencer de que os homens eram
todos iguais, resistiam às amarras, e o seu não era diferente, apenas um pouco
mais indomável. Podia viver com isso?, perguntava-se, e durante quanto
tempo?, torturava-se. A resposta, estava bem de ver, era indefinidamente , pois
não fora capaz de se afastar quando as coisas tinham começado a descambar e
agora tornara-se demasiado tarde para sacudir os sentimentos e largá-lo.
Regina sentia-se vítima de uma fatalidade de amor, mas o desnaturado do
homem era um sacana irresistível e não havia nada a fazer.


Nuno era corajoso, fisicamente, tão destemido aliás que chegava a ser
inconsciente. Não havia perigo que não enfrentasse, se fosse perigo de morte,
mas, se se tratasse de risco sentimental, a coragem esboroava-se em pedaços e
ele fugia ao confronto.


Acarinhou Regina, ansioso por fazer amor com ela, movido por algum
calculismo, por uma secreta necessidade de compor as coisas entre eles. E o
sexo era uma forma de reconciliação. Queria acalmá-la, resolver aquela crise
e depois então — resignou-se — teria de reconsiderar a sua vida, senão, ainda
me lixo de vez
, pensou. De qualquer modo, acreditava que a vida nunca mais
seria a mesma. O que vira no Leste convencera-o de que Angola havia
entrado num caminho sem retorno, que seria inevitável os novos senhores de
Lisboa abrirem mão da colónia. Em breve, pensava, os soldados iniciariam a
retirada e não haveria nada para ele fazer no Interior do território. Angola
estava condenada, o seu negócio estava condenado.


Regina sentia-se frágil, esgotada, mentalmente arrasada. Não dormia há
dias e a chegada de Nuno foi um enorme alívio. Abandonou-se nos seus
braços, deixou que ele a beijasse, grata por ter um bocadinho de paz de
espírito. Sentia o mundo a desmoronar-se à sua volta e não sabia se
conseguiria enfrentar sozinha o que estava para vir. Precisava dele mais do
que nunca.


Nuno passou a mão pelas pernas dela, pelas coxas, debaixo do vestido,
acariciou a sua pele macia, explorou o seu corpo sem se apressar e descobriu-
a frágil, rendida, ao penetrar no seu interior mais íntimo.

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