(Antfer) #1

refere ao “amigo do amigo de meu pai” é uma espécie de ponto de partida para as
discussões. Uma hora depois de disparar a cobrança, aliás, Marcelo diz: “Não podemos
relaxar. Esta frente e a do amigo do amigo de meu pai decidem o jogo a nosso favor”.
Meses depois, ele pergunta como está agindo o “amigo de Adriano” – ou seja, Toffoli –
e de novo fala em “preço”: “Temos como motivá-lo a nos defender mais? Diria que
pelo desgaste que possamos estar tendo pelo envenenamento da moça o apoio dele
vale uma parceria/preço bem alto”. A moça seria a então ministra Dilma Rousseff, que
se opunha aos interesses da empreiteira no projeto das usinas. “Ao que parece, o apoio
de Toffoli é dado em troca de um alto preço a ser pago pela Odebrecht”, anotam os
procuradores em uma das peças obtidas por Crusoé. Eles destacam os seguintes
pontos acerca das tratativas sobre os projetos do rio Madeira:



  • havia um acerto em curso dos executivos da Odebrecht com Toffoli;

  • a Odebrecht enxergava o então advogado-geral da União como um personagem
    capital para resolver os problemas relacionados ao tema;

  • o apoio de Toffoli valeria uma “parceria/preço bem alto”;

  • os executivos da Odebrecht esperavam uma atitude mais proativa de Toffoli na
    defesa dos interesses da empresa.


Na sequência, Adriano Maia diz que a posição de Toffoli em relação aos temas de
interesse da Odebrecht refletirá a vontade de Lula, que vinha acompanhando o tema e
sofrendo pressão de empreiteiros concorrentes. A certa altura, ele afirma que os
pareceres deveriam ser favoráveis à Odebrecht, mas que Toffoli tinha um limite: além
de não poder contrariar as decisões do então presidente, seu chefe imediato, o então
advogado-geral já estava demasiadamente exposto no tema. Ao fazer esse relato a
Marcelo Odebrecht, Adriano menciona o que ouvira de Sérgio Renault, o suposto
intermediário da relação: “Renault diz que meu amigo não confrontará diretamente a
decisão do governo. Que não se espere isso dele, por conta da forte exposição que ele
diz já ter tido no tema”. Um mês depois, Marcelo pede notícias sobre o acerto com o