(Antfer) #1

Odebrecht tinha especial interesse por causa da petroquímica Braskem, da qual era
controladora. Segundo o próprio Marcelo Odebrecht, a depender do desfecho da
discussão, a empresa poderia sofrer um rombo de 4 bilhões em suas contas. As partes
interessadas envidaram esforços diversos em busca de uma solução. No Congresso,
tentaram resolver a parada por meio de medidas provisórias negociadas à base de
propinas que mais tarde viriam a ser reveladas em acordos de delação na Lava Jato. O
assunto, porém, estava amarrado a decisões da Justiça, e nos tribunais a atuação da
AGU poderia fazer toda a diferença. Por isso, Marcelo Odebrecht e os demais
executivos do grupo que lidavam freneticamente com a questão (nos arquivos do
empreiteiro há 501 e-mails tratando do assunto) passaram a mirar Toffoli como
alguém que poderia ajudá-los.


No depoimento prestado no início de maio aos procuradores Victor Riccely e Luana
Vargas, em uma sala da Procuradoria da República em São Paulo, Marcelo Odebrecht
é um tanto comedido ao responder às indagações sobre as mensagens relacionadas ao
ministro do Supremo. Também pudera. Como delator em pleno usufruto dos
benefícios do acordo firmado com a Procuradoria (hoje ele está em prisão domiciliar),
para ele não chega a ser propriamente um bom negócio comprar briga com um
integrante da Suprema Corte. Além disso, se fosse peremptório nas respostas, estaria
diante de outro problema que, da mesma forma, tem potencial para colocar em risco
sua condição de réu colaborador: por que, afinal, ele teria omitido informações tão
graves ao fazer a delação? Diante desses dois dilemas, o Marcelo Odebrecht que
aparece no vídeo se divide entre um personagem que não pode negar o que está
registrado nos e-mails e outro que não deseja aprofundar ainda mais o fosso em que se
meteu. É justamente nesse contexto que ele já começa transferindo para Adriano
Maia, um de seus subordinados, a responsabilidade pelo relacionamento com Toffoli –
além de “amigo do amigo de meu pai”, o ministro é tratado nas mensagens como
“amigo de Adriano” e “amigo de AM”. Marcelo afirma que é Adriano quem pode
esclarecer em quais bases se dava a relação com o próprio Toffoli e seus
intermediários, com quais ele tinha se incumbido de negociar. A postura, aliás, é
semelhante àquela que ele adotara ainda no ano passado, ao explicar por escrito quem
era “o amigo do amigo de meu pai” e a história por trás do e-mail.


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Adriano de Seixas Maia, de 46 anos, construiu uma longa e sólida carreira na
Odebrecht. Entrou na companhia ainda jovem e chegou ao posto de diretor jurídico.
Nessa condição, foi um dos responsáveis pela costura do acordo de delação premiada
firmado pelos executivos da empreiteira com a Lava Jato. Ele deixou a Odebrecht em