Luiz Henrique Mandeta - Um Paciente Chamado Brasil

(Antfer) #1

um destino turístico cheio de infectados. Os Estados Unidos estavam
começando a escalada de casos — no dia 6 eles tinham 77, no dia 12, 393; no
dia 19 já eram 3948 e no dia seguinte 5417 —, e essa foi a semana em que o
presidente Donald Trump parou de defender uma vida normal, sem
restrições.
Bolsonaro manteve essa agenda porque havia sido marcada uma reunião
com o presidente Donald Trump em sua casa de campo particular. Quando
estavam fazendo os preparativos para a viagem, falei para organizarem um
sistema de segurança biológica. Insisti muito para que usassem máscara,
levassem álcool em gel. Reforcei que era essencial guardar distância uns dos
outros, afinal iria muita gente. Questionei quem tinha treinado os seguranças
para aquela realidade que o mundo estava enfrentando. Mas não me ouviram.
Foram para os Estados Unidos encontrar com o Trump como quem vai numa
excursão para a Disney. Embarcaram sem nenhum tipo de cuidado.
Ficaram lá cinco dias. Foram e voltaram todos no mesmo avião. Veio a
informação de que, antes de embarcar para o retorno ao Brasil, o chefe da
Secretaria Especial de Comunicação Social, Fábio Wajngarten, estava com
febre e tosse. Ainda assim, ele viajou no mesmo avião da comitiva. Ele
chegou a São Paulo e foi direto para o Hospital Albert Einstein. Então, liguei
para o general Braga Netto, ministro da Casa Civil, para saber que
informações eles tinham. Queria saber detalhes sobre a presença do secretário
de Comunicação no voo e quem tinha tido contato com ele. Mas a resposta
foi evasiva. Braga Netto disse que Wajngarten não tinha nada e que tudo não
passava de fofoca da imprensa.
Em 11 de março, a OMS convocou a imprensa e decretou, enfim, a
pandemia do novo coronavírus. Oficialmente, a covid-19 havia se tornado um
problema do mundo todo, mas na prática meu dia a dia já estava
completamente tomado pela organização de ações que pudessem controlar a

Free download pdf