Banco Central do BrasilO Estado de S. Paulo/Nacional - Economia
sábado, 6 de março de 2021
Banco Central - Perfil 3 - Reforma Tributáriasuperar a pandemia. Vacina virou um instrumento
poderoso de política econômica, porque ela permite a
recuperação de setores importantes da atividade, como
serviços, que emprega muita gente. Esse é o principal
fator de risco. O risco fiscal deriva, no curto prazo, do
risco da pandemia. Não teríamos uma nova rodada de
auxílio emergencial se a pandemia tivesse seguido uma
trajetória declinante.
Mas como está a confiança do investidor no País em
geral, dado o cenário político?
Não há dúvida de que o episódio Petrobrás preocupou
os investidores. Por exemplo, o fluxo de capital
estrangeiro para a Bolsa vinha em recuperação, mas,
depois desse episódio, começou a se reverter. Foi um
susto grande. Uma vez que o investidor fica assustado,
ele demora para se acalmar. Não é a primeira vez que a
gente tem interferência do governo na Petrobrás.
Governos de diferentes orientações ideológicas já
fizeram isso, mas, quando acontece, e da forma como
aconteceu, surpreendendo o mercado, tem uma reação
natural dos investidores de ficarem mais retraídos, de
quererem entender melhor qual é a direção da política
econômica. Não dá para dizer que foi um episódio
irrelevante. Foi relevante, sim. Quão relevante ele vai se
mostrar como divisor de águas, a história vai dizer. Mas
os dados são incontroversos. Trincou um pouco o
cristal.
Muitos analistas têm dito que o País está sem rumo.
Concorda?
Uma coisa que está acontecendo positivamente é que o
investimento vem crescendo. Teve dois trimestres
consecutivos de alta. Agora, um crescimento razoável
não vai se manter em um ambiente de grande incerteza.
Vamos resolver a incerteza fiscal? Depois, a reforma
tributária? As minhas dúvidas para 2022 são essas. Se
persistir esse ambiente de incerteza, de susto,
solavancos na gestão de empresas importantes, vai ser
difícil manter uma trajetória de crescimento do
investimento. O próprio consumo pode acabar sendo
afetado. Por ora, nós esperamos um crescimento em
torno de 2% em 2022, mas ele pressupõe uma
economia com um grau menor de incerteza do que a
gente tem agora.Teremos, então, de esperar a próxima eleição para
alavancar o crescimento?Se eu estiver errado e tivermos um progresso grande na
agenda de reformas neste ano, o ambiente melhora.
Mas a frustração com a agenda de reformas não é de
agora. A falta de progresso agora é frustrante, mas a
frustração vem de muito tempo.Solavancos"Se persistir esse ambiente de incerteza, de susto,
solavancos na gestão de empresas importantes, vai ser
difícil manter uma trajetória de crescimento do
investimento."Assuntos e Palavras-Chave: Banco Central - Perfil 3 -
Reforma Tributária