Você SA - Edição 248 (2019-01)

(Antfer) #1
VOCÊ S/A wJANEIRO DE 2019 w 73

D


otaxista ao pi-
poqueiro, da
manicure ao
flanelinha, é
raro encontrar
um prestador
de serviço ou
comerciante
que não dê ao
cliente o con-
forto de pagar
no débito ou no
crédito. As máquinas de pagamento
se espalharam pelo país.
O movimento começou em 2010,
quando a legislação decretou o fim
da exclusividade entre bandeiras e
credenciadoras de cartão, donas dos
aparelhos. Antes, cartão Visa só ro-
dava na Cielo e Mastercard só na
Rede. Isso obrigava o vendedor a
alugar mais de uma máquina, pa-
gando taxas mensais nada convida-
tivas. Como se não bastasse, o es-
tabelecimento ainda precisava
comprovar uma renda mínima, entre
outros pré-requisitos. Resultado:
autônomos ou quem tivesse um pe-
queno comércio raramente ofere-
ciam essa vantagem ao consumidor.
Mas o jogo virou. E o que se viu,
de lá para cá, foi uma guerra co-
mercial para ganhar espaço nesse
mercado. As armas? Isenções, bara-
teamento de taxas e propaganda no
horário nobre. Em 2018, no ápice da
batalha, apelou-se até para Michel
Teló e Wesley Safadão cantando
juntos para vender a Minizinha,
produto da PagSeguro oferecido a
12 parcelas de 9,90 reais.
Para entender a dimensão dessa
disputa, é preciso olhar os núme-
ros. Em 2010, as credenciadoras
Cielo (controlada por Banco do Bra-
sil e Bradesco) e Rede (do Itaú) con-
centravam 90% das transações em
débito ou crédito. Oito anos depois,
com a entrada de concorrentes de
peso, como PagSeguro, GetNet (do
Santander), Stone e Mercado Pago

FOTO: LEANDRO FONSECA VOCÊ S/A wJANEIRO DE 2019 w 73

(do Mercado Livre), a fatia caiu para
73%. De acordo com o Banco Cen-
tral, hoje existem 16 empresas de
maquininhas no país.
Segundo a Associação Brasileira
das Empresas de Cartões de Crédi-
to e Serviços (Abecs), há 5,1 milhões
de pontos de venda com máquinas
de cartão ou terminais eletrônicos
espalhados pelo país. Juntos, eles
movimentaram, só em 2017, 1,36 tri-
lhão de reais. Projeções da instituição
mostram que 60% dos pagamentos
realizados no Brasil serão efetuados
dessa forma nos próximos cinco anos
— o percentual atual é de 33%.
Não é sem razão que o mundo vol-
tou os olhos para o filão no país.
Prova disso é o sucesso da PagSe-

pelo Ant Financial, braço de paga-
mentos da chinesa Alibaba.
Para os especialistas, a aproxi-
mação da gigante com a brasileira
movimentará ainda mais o setor.
Hoje, a Ant Financial é considerada
uma das startups mais valiosas do
mundo e tem, entre outras tecno-
logias, a de pagamento por reco-
nhecimento facial.
“Esses movimentos mostram
oaquecimento desse setor, que é
muito lucrativo”, diz Bruno Diniz,
sócio da Spiralem, consultoria fo-
cada em inovação no mercado fi-
nanceiro e professor do curso de
fintech na Fundação Getulio Var-
gas (FGV). Hoje, quem atua no seg-
mento ganha dinheiro não só com
tarifas de cerca de 1% cobradas a
cada transação mas também com
a chamada taxa de antecipação,
em que a credenciadora adianta a
transferência de dinheiro ao co-
merciante, que paga entre 8% e
19% do valor a ser recebido.
Ninguém quer ficar de fora. Em
2018, a Cielo, líder no setor com
cerca de 40% do mercado, lançou
três novos produtos, entre eles a
LIO+, primeira máquina de paga-
mentos que vem com smartphone,
algo considerado uma inovação
mundial. A empresa também tem
investido em marketing (no tercei-
ro trimestre foram 67,2 milhões de
reais ante 55,2 milhões no mesmo
período de 2017) e aumentado ex-
ponencialmente o número de ven-
dedores. Segundo Sérgio Saraiva,
vice-presidente de Desenvolvimen-
to Organizacional da Cielo, foram
contratadas 1 100 pessoas de ven-
das nos últimos três meses para
expandir os negócios.
As medidas são uma resposta da
Cielo ao baque provocado pela con-
corrência. No terceiro trimestre de
2018, o lucro líquido ajustado foi de
812,8 milhões de reais, 20% menor
do que no mesmo período de 2017.

5,1


MILHÕES
DE ESTABELECIMENTOS
UTILIZAM AS MAQUININHAS
DE PAGAMENTO NO BRASIL

guro e da Stone na Bolsa de Valores
de Nova York. Um ano atrás, quando
abriu o capital nos Estados Unidos,
a PagSeguro bateu o recorde de va-
lor arrecadado por uma brasileira:
2,27 bilhões de dólares. A Stone
teve o mesmo destino em outubro,
quando lançou oferta de ações. Com
receita de 414,1 milhões de reais no
terceiro trimestre de 2018 (avanço
de 121,4% em comparação ao mes-
mo período de 2017), a companhia,
fundada em 2013, captou nada me-
nos que 1,5 bilhão de dólares na
bolsa nova-iorquina. Uma fatia subs-
tanciosa das ações foi adquirida
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