Coluna Brasília-DF - O último fôlego de Paulo Guedes
Banco Central do BrasilCorreio Braziliense/Nacional - Política
sábado, 13 de março de 2021
Banco Central - Perfil 1 - Banco CentralClique aqui para abrir a imagemAutor: por Denise Rothenburg »
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O último fôlego de Paulo Guedes
Sempre chamado pelo Planalto a segurar o mercado e o
Congresso quando o presidente Jair Bolsonaro sobe o
tom e termina ameaçando o equilíbrio fiscal ou as
votações, o ministro da Economia, Paulo Guedes,
respira melhor depois que o Parlamento aprovou a PEC
Emergencial. Porém gerou preocupação entre seus
aliados do mercado financeiro o fato de ter sido o
presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto,
e não o ministro da Economia, a explicar para os
parlamentares quais os reflexos para a economia se a
PEC não trouxesse a contrapartida fiscal, por exemplo,
o congelamento de salários.
A muitos, passou uma sinalização de que Guedes não
está tão forte quanto possa parecer no mano a mano
com os congressistas. Com as pesquisas apontando
que a economia segue caminho errado, Bolsonaro volta
a ter o ministro prestes a subir na prancha, da qual
alguns já foram jogados ao mar. (Para quem não leu no
Blog da Denise, no site correiobraziliense.com.br, o
ponto que mais preocupa o governo na pesquisa XP,
divulgada ontem, é o fato de 63% dos entrevistados
responderem que a economia vai pelo caminho errado).A esperança do Planalto é de que o auxílio emergencial
melhore a situação. Os parlamentares, porém, querem
que também haja uma ajuda maior aos pequenos e
médios empresários, que mais sofrem com a
necessidade de lockdown, provocado pelo colapso no
sistema de saúde.O sinal de MoroAs declarações do ex-juiz Sergio Moro sobre o respeito
à decisão do ministro Edson Fachin, de anular as
condenações de Lula, vão no sentido de ver se
consegue melhorar a sua situação em relação à
suspeição e fazer com que a Lava-Jato seja revista
caso a caso e não no atacado. A suspeição poderá
comprometer tudo o que foi feito, liberando muita gente
que sabe perfeitamente porque está presa.Ex-juiz sem saídaAliados de Moro têm dito que, diante do desgaste do
desmantelamento da Lava-Jato, ele não tem opção fora
de uma candidatura, seja à Presidência da República,
seja ao Parlamento. Se ele não defender a Lava-Jato,
ninguém a defenderá. A operação e os bilhões
recuperados não são temas prioritários dos discursos
nem dos petistas, nem dos bolsonaristas, nem dos
tucanos, nem da turma do DEM.Reza a tradiçãoMuito será debatido nos próximos dias e meses sobre
reforma eleitoral. O pano de fundo é o medo dos
partidos pequenos de serem varridos do mapa com o
fim das coligações proporcionais.